quarta-feira, 23 de setembro de 2026
SERVIÇO BÁSICO

Manaus e o saneamento básico: O que mudou e como melhorar

Hoje, a capital amazonense está na 83ª posição no ranking de saneamento básico, segundo o Instituto Trata Brasil.
COMPARTILHE
Foto: Divulgação/Aguás de Manaus

Com mais de 2 milhões de habitantes, segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Manaus é a 7ª cidade mais populosa do Brasil, mas quando se trata de saneamento básico a capital amazonense se encontra na 83ª posição no ranking, segundo o Instituto Trata Brasil. Além disso, a cidade se encontra no top 20 das piores cidades nesse quesito.

Segundo a concessionaria Águas de Manaus, empresa responsável pelo tratamento de água e esgoto na capital amazonense, Manaus é a capital do Norte que mais recebeu investimentos em saneamento básico no Brasil nos últimos cinco anos.

A cidade também está entre as sete maiores do país em volume de investimentos no período, superando R$1 bilhão em recursos aplicados no setor. A concessionária prevê que, nos próximos cinco anos, o investimento no setor será de mais de R$2 bilhões, e assim, chegará a 45% de cobertura, e, em 2033, à universalização.

A especialista em saneamento básico e mestre em Engenharia Civil, Luana Pretto, explicou que, apesar da má colocação da cidade no ranking, Manaus tem evoluído.

“Manaus está na posição 83 do ranking do saneamento, ou seja, uma das piores tendo em vista que avaliamos as 100 maiores cidades, mas é um município que tem evoluído bastante em relação às posições do ranking. Manaus estava na posição 89 e evoluiu para a posição 83, neste ano. É uma cidade que tem investido um pouco acima da média do país, R$88 por habitante quando a media é R$82, e tem um investimento maior do que o próprio estado do Amazonas”, explicou.

Top 20 piores cidades em saneamento saneamento básico de 2023. Fonte: Instituto Trata Brasil

A ligação das residências ao esgoto como fator para melhorar o saneamento

Foto: Redes Sociais

Pretto, no entanto, observa também que o indicador de acesso à coleta e tratamento de esgoto ainda é baixo: 25% de coleta e 21% de tratamento. “Estes números precisam evoluir até o ano de 2033 para 90% para cada segmento”, avalia a engenheira.

A Águas de Manaus informa que vem ampliando a cobertura do serviço de coleta e tratamento de esgoto e até o fim deste ano irá chegar a mais de 30%. Ressalta, porém, que os moradores precisam se interligar ao sistema para que todo o efluente seja coletado e conduzido a uma das Estações de Tratamento de Esgoto (ETE), para se que seja tratado e devolvido ao meio ambiente livre de contaminações.

Relatou ainda que esse é um dos pontos mais sensíveis em relação ao esgotamento sanitário na cidade de Manaus.

“Um dos pontos mais sensíveis em relação ao esgotamento sanitário é a conscientização dos usuários que precisam se conectar à rede coletora. O serviço da concessionária consiste em realizar a implantação da rede e deixar o Tubo de Inspeção e Limpeza (TIL) instalado na frente da residência, disponível para que cada morador faça sua ligação, conforme estabelecido na legislação vigente”, informou.

A especialista explica que essa correta ligação do esgoto com a casa das pessoas é o principal fator para melhorar o saneamento na cidade.

“Para melhorar esse saneamento é importante a correta ligação das casas, residenciais, condomínios e etc., nas redes, não basta apenas a rede passar por esse lugar. Em regiões mais distantes, rurais ou com baixa densidade populacional existem soluções alternativas que não seja o sistema coletivo de coleta e tratamento de esgoto, então pequenas estações de tratamento ou até unidades biodigestoras em unidades residenciais servem para esses lugares”.

Como funciona o ciclo de tratamento de esgoto

Manaus possui hoje 115 Estações de Tratamento de Esgoto (ETE), segundo a concessionária Águas de Manaus, e mais duas, nos bairros da Ponta Negra e Raiz, estão sendo construídas.

O tratamento de esgoto funciona em um ciclo de cinco etapas: Gradeamento; Desarenação; Tratamento Biológico; Decantação e Descarte.

Luana Pretto explicou de forma resumida como funciona o ciclo. “Essa rede leva o esgoto bruto para uma estação de tratamento de esgoto, onde é removida a carga orgânica presente e os patógenos que causam os malefícios à saúde da população (Gradeamento e Desarenação), depois o líquido que permanece na superfície é encaminhado para a próxima etapa, que passa por uma desinfecção (Tratamento Biológico), depois o líquido é submetido a um processo de decantação e esse efluente tratado volta para o rio (descarte) fazendo com que o ciclo da água seja completo”.

Obras e Meio Ambiente

A concessionária de água da cidade informou, por meio de nota, que há ETEs em todas as zonas da cidade. “Todas as ETEs estão em pleno funcionamento. A ETE do Residencial Tocantins tem capacidade para tratar 1,9 milhão de litros por dia, hoje, a estrutura recebe todo esgoto coletado do bairro Dom Pedro e do conjunto Tocantins. A avenida Umberto Calderaro Filho está dentro do cronograma para receber o serviço. Atualmente, uma parte da via já está recebendo a estrutura (entre a avenida Marciano Armond e rua Natal)”.

A Águas de Manaus ressaltou ainda que existem programas voltados para a conscientização ambiental e para a importância da preservação das águas que servem ao Estado.

“Além do serviço, a Águas de Manaus também participa de diversos projetos relacionados ao meio ambiente e sobre a importância da sua preservação. Entre eles, estão: plantio de árvores, apoio nas ações do Remada Ambiental, além de ações voluntárias dentro das comunidades e escolas, com palestras educativas sobre sustentabilidade e a importância em preservar o meio ambiente.

A concessionária mantém ainda um museu interativo – Fonte do Saber – que recebe visitas de estudantes e de grupos de crianças de comunidades para conhecer o funcionamento do saneamento na cidade, bem como a importância da preservação do meio ambiente em atividades lúdicas que remetem à situações reais do nosso dia a dia.

Outro projeto desenvolvido pela Águas de Manaus é o “Portas Abertas”. Nele, os visitantes conhecem de perto como funciona a captação, tratamento e distribuição da água em uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETA), além dos processos de tratamento do esgoto em uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE)”.

Residenciais, Condomínios e Casas ligadas à rede de esgoto

Foto: Redes Sociais

Em 2007, foi sancionada, pelo então prefeito Serafim Corrêa, a Lei n° 1.192, que criou o Programa de Tratamento e Uso Racional das Águas nas Edificações (Pró-Águas), com o objetivo de estabelecer medidas que induzam à preservação, tratamento e uso racional dos recursos hídricos nas edificações, inclusive com a utilização de fontes alternativas para captação de águas. Confira na integra.

Com base nela, residenciais, condomínios (de casas ou prédios) e casas no geral devem ser ligadas, obrigatoriamente, a uma ETE. De acordo com o vice-presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Amazonas (Ademi-AM), Hélio Alexandre, a maior parte dos condomínios criados hoje já estão ligados a uma estação e os antigos foram notificados para que coloquem.

“Hoje, tudo que você faz na cidade de Manaus e tem projetos aprovados, independentemente, de ser um condomínio de apartamentos ou casa, pode até ser uma loja ou supermercado, precisa ter ETEs, se não, não vai pra frente a construção. Já os condomínios mais antigos, de antes da lei, pelo menos a maioria deles foi notificada pela prefeitura para que coloque os ETEs”, relatou.

Luana Pretto finalizou dizendo que Manaus pode evoluir ainda mais nesse quesito, principalmente, com a fiscalização dos órgãos reguladores e da população.

“Manaus precisa continuar investindo, pois esse investimento se traduz em obras que se resultarão em maior percentual da população com acesso a esse serviço, e que até 2033 chegue à universalização. O desafio é grande, já que precisa evoluir 70 pontos percentuais, mas os investimentos já estão acima da média e precisam continuar acontecendo sempre com a fiscalização dos órgãos reguladores e da população”.

Leia Mais:

COMPARTILHE