Cidades da região norte do Brasil figuram entre as piores do país no ranking das 20 piores cidades em saneamento básico de 2023. Penúltima da lista, Manaus tem a companhia de Rio Branco (AC), Belém (PA), Santarém (PA), Porto Velho (RO), Marabá (PA), Macapá (AP) e Ananindeua (PA).
O levantamento é do Instituto Trata Brasil sintetiza dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS).
Os dados utilizados no levantamento são referentes ao ano de 2021, devido à defasagem do sistema. Foram analisados a população atendida, fornecimento de água, coleta e tratamento de esgoto, investimentos em saneamento e perdas de água no sistema.
Segundo o estudo, Manaus, Macapá, Porto Velho, Santarém e Belém estão nesse ranking há 10 anos (2012-2021).
Apesar da má posição no levantamento, a cidade de Manaus teve uma evolução na coleta de esgoto, com 13,20 pontos percentuais; no abastecimento de água, com 8,24 pontos, e no tratamento total de esgoto, com 9,33. Esses números correspondem aos anos de 2017 a 2021.

Investimentos
Manaus também lidera o ranking de investimentos em saneamento básico, entre 2017 e 2020, na comparação com outras capitais da região norte. No período analisado pelo levantamento, os investimentos na área somaram R$993,2 milhões. Já o investimento médio por renda per capita de cada habitante manauara ficou R$88,05.
O patamar nacional médio de investimentos anuais por renda per capita necessário à universalização, de acordo com dados do Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab), é de aproximadamente R$ 203,51 por habitante. Neste sentido, Cuiabá (MT) foi a capital que mais investiu, com R$ 369,33.
Os patamares mais baixos foram observados em Rio Branco (AC) com R$ 32,63 por habitante, em Maceió (AL) com R$ 31,68, e em Macapá (AP) com R$16,94, o que justifica parcialmente sua posição como último do Ranking de 2023.
Manaus ocupa a 83ª posição no ranking
O estudo mostrou um panorama geral de 100 cidades e o saneamento básico delas em 2023. As cidades da região norte ocupam posições acima de 50 e Macapá tem a pior colocação no ranking.
| Cidades do Norte | Posição no ranking |
| Manaus (AM) | 83 |
| Rio Branco (AC) | 94 |
| Belém (PA) | 95 |
| Santarém (PA) | 97 |
| Porto Velho (RO) | 98 |
| Marabá (PA) | 99 |
| Macapá (AP) | 100 |
Ao RealTime1, a concessionária Águas de Manaus, empresa responsável pelo tratamento de água e esgoto na capital amazonense, respondeu, por meio de nota, que a cidade foi a que mais recebeu investimentos em saneamento básico no Brasil nos últimos cinco anos.
“A cidade está entre as sete maiores do país em volumes de investimentos no período, superando R$ 1 bilhão em recursos aplicados no setor. Com isso, a cidade já avançou 15 posições no Ranking do Saneamento, do Instituto Trata Brasil, desde o início das operações da Águas de Manaus, saindo da colocação 98 para a 83”, explicou.
Acesso ao saneamento
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2019 e 2022, o número de residências com esgotamento sanitário por rede coletora aumentou 1,3 ponto percentual.
As regiões com as menores estimativas de acesso à rede geral de esgoto tiveram aumento. O Norte saiu de 27,3% para 31,1%, e o Nordeste, de 47% para 50,1%. A região alcançou, em 2022, pela primeira vez a metade dos domicílios ligados à rede geral de esgoto.
Na capital manauara, na semana passada, a Águas de Manaus informou que cerca de 1,9 mil metros de rede coletora foram implantadas no conjunto Augusto Montenegro, localizado no bairro Lírio do Vale, zona centro-sul, para destinar de forma correta o esgoto das residências para uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), localizada no próprio Lírio do Vale.
A estação tem capacidade para tratar 7,3 milhões de litros de esgoto por mês.
Segundo dados da concessionária, a capital amazonense possui 113 Estações de Tratamento de Esgoto em operação e mais de 900 quilômetros de rede coletora. Assim, são tratados, por dia, aproximadamente 57 milhões de litros de esgoto.
A concessionária disse, ainda, que a cobertura do esgotamento sanitário na cidade aumentou após os investimentos e modernização de Estações de Tratamento de Esgoto (ETE) e que, em 2033, chegará a universalização desse serviço.
“Em relação ao esgotamento sanitário, quando a concessionária chegou em Manaus, a cidade tinha 19% de cobertura. Após investimentos em construção e modernização de Estações de Tratamento de Esgoto (ETE) e a implantação de redes coletoras, a cobertura aumentou e hoje já caminha para 30%. Com isto, mais de 600 mil pessoas serão beneficiadas com a estrutura e melhorias na qualidade de vida e saúde.
Para os próximos anos, o sistema receberá investimentos robustos que viabilizarão uma expansão acelerada. Somente nos próximos cinco anos a cobertura deve chegar a 45%, e, em 2033, à universalização.
Conforme a estrutura é ampliada, a cidade ganha em qualidade de vida, melhoria nos índices de saúde, valorização imobiliária, estímulo ao turismo e em benefícios ambientais como a despoluição de áreas que hoje, estão degradadas.
Vale destacar que o ranking utiliza dados com defasagem de dois anos – ou seja, o estudo de 2023 tem indicadores do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) do ano de 2021. Com isso, parte das melhorias realizadas desde a chegada da Aegea em Manaus, nos últimos anos, ainda não foi computada no material divulgado pelo Trata Brasil“.
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