O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Amazonas anunciou um plano emergencial para proteger o sítio arqueológico das Lajes, na orla do rio Negro em Manaus.
A medida foi tomada após o lugar ser tomado por vários curiosos, que, ao interagirem como as gravuras milenares, poderão degradar os petróglifos.
O instituto informou que procurou a Polícia Federal, o Batalhão de Polícia Ambiental da Polícia Militar e a Secretaria Municipal de Segurança Pública e Defesa Social (Semseg) para realizarem patrulhas, de modo a impedir qualquer dano ao Patrimônio Cultural brasileiro.
Na última terça-feira (24), um grupo de pessoas foi até o local. Um dos visitantes, o historiador Otoni Mesquita, aplicou uma tinta de pigmentação natural para realçar os contornos, o que causou revolta nas redes sociais, embora a técnica tenha sido usada amplamente pelo meio acadêmico [antes do avanço tecnológico digital] para documentação de figuras rupestres. Em artigo ao RealTime1, ele se manifestou prestando esclarecimentos e pedindo desculpas.
Na nota, o Iphan destacou que vem realizando fiscalizações regularmente na área do sítio arqueológico, com apoio do Instituto Soka Amazônia. No dia 17 deste mês, a superintendente do órgão no Amazonas, Beatriz Calheiro, esteve pessoalmente no local durante uma visita técnica.
“Outras providências estão sendo organizadas em um Plano Emergencial devido à estiagem, incluindo a instalação de um grupo de trabalho para gestão compartilhada do sítio, envolvendo diversos órgãos”, informou a nota do órgão.
O instituto destaca que “todos os bens arqueológicos pertencem à União, sendo que a legislação veda qualquer tipo de aproveitamento econômico de artefatos arqueológicos, assim como sua destruição e mutilação”.
“Além disso, para realização de pesquisas de campo e escavações, é preciso o envio prévio de projeto arqueológico ao Iphan, que avaliará e, só então, editará portaria de autorização. Assim, qualquer pesquisa interventiva realizada sem autorização do Iphan é ilegal e passível de punição nos temos da lei”, ressalta.
“Atualmente, está em execução um Plano de Ação cujo objetivo é pesquisar e cadastrar sítios arqueológicos no estado do Amazonas. Com isso, pretende-se produzir conhecimento sobre o Patrimônio Arqueológico da região amazônica, promovendo, ao mesmo tempo, ações educativas que, também, são uma forma de prevenir futuros prejuízos a esses bens”, conclui.
Gravuras rupestres do rio Negro ressurgem na seca extrema
A gravuras rupestres, localizadas em um pedral da margem do rio Negro no bairro Colônia Antônio Aleixo, na região do Encontro das Águas, foram encontradas em 2010, ano da segunda maior seca do rio Negro já registrada em 121 anos de medição – a maior é a atual.
Na semana passada, quando o reaparecimento das figuras entalhadas nas pedras há milênios por povos indígenas, circularam informações sobre destruição do patrimônio e sujeira no local.
O Iphan informou que as novas pinturas feitas pela população no pedral das Lajes não estão sobrepostas às gravuras e amoladores do sítio arqueológico, mas em área adjacente. As pinturas modernas, segundo instituto, estão a pelo menos 100 metros de distância.
“Algumas dessas inscrições fazem referência aos anos de 2015 e 2018, quando a seca não chegou ao nível de afloramento dos registros rupestres do sítio”, observou.
Quanto aos resíduos sólidos encontrados no local, o Iphan destacou que parte significativa do lixo é proveniente do descarte inadequado em outros pontos ao longo do rio Negro.
“Informamos que a presença desses resíduos gera preocupação, razão pela qual orientamos aos visitantes evitarem levar material plástico ou similar quando das visitas ao local, recolher e retornar com os resíduos e efetivar o descarte correto dos materiais eventualmente levados”, destacou.
Sobre o patrimônio do Sítio das Lajes
As gravuras em forma de rostos humanos submersas nas paredes rochosas do sítio arqueológico e geológico das Lajes voltaram a aparecer em outubro, com a descida mais severa das águas do rio Negro.
O caso foi noticiado inicialmente pela agência Amazônia Real. Especialistas ouvidos pela agência estimaram que os petróglifos, como também são chamadas por arqueólogos essas gravuras, tenham entre 1.000 e 2.000 anos.
A Amazônia Real informa que, além das gravuras que reproduzem rostos humanos, também são encontrados, na parte de cima do pedral, imagens de animais e representações das águas, além de cortes nas rochas que mostram resultados de oficinas líticas – significando que as ferramentas para as gravuras eram confeccionadas ali mesmo.






De acordo com a agência, o sítio das Lajes foi o primeiro de Manaus a ser registrado no Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos (CNSA) do Iphan e é um dos mais degradados.
“Ele abrange uma área que inclui encostas de terra preta, fragmentos cerâmicos e urnas funerárias, além das gravuras. Grande parte, porém, desapareceu por ações humanas e obras sem salvaguarda suficiente”, informa a Amazônia Real.
Iphan fará ação educativa sobre o Sítio das Lajes
O Iphan informou que, no próximo sábado (28), fará junto com o Instituto Soka Amazônia ações educativas voltadas à preservação ambiental e patrimonial, com atividades de recolhimento do lixo no local, visando sensibilizar a comunidade sobre a importância de preservar os rios e os bens arqueológicos.
Já no dia 1º de novembro, no próprio Instituto Soka Amazônia, vão acontecer atividades de palestra e sensibilização quanto à preservação do patrimônio arqueológico, contando com a participação de discentes do Instituto Federal do Amazonas (Ifam).