Manaus celebrou 354 anos de fundação, mas quem ganhou o presente foi o manauense que, nesta quarta-feira (25), começou a deixar para trás a temporada de inferno climático, com a redução a quase zero do número de queimadas na região metropolitana, do fumaceiro que tomou conta da cidade nas duas primeiras semanas de outubro, e até a vazante do rio Negro deu sinais de arrefecimento.
Pela primeira vez em duas semanas, imagens do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) – disponíveis no aplicativo de acompanhamento climático Windy – mostram que as queimadas praticamente desapareceram nos municípios da Região Metropolitana, evitando assim o fumaceiro.

Conforme o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que atua na RMM com quase 300 brigadistas, nos municípios de Autazes, Careiro da Várzea, Careiro Castanho, Iranduba e Manaquiri, observa-se uma redução nos focos de queimadas da primeira semana comparada com a terceira de: 94%, 97%, 99%, 93% e 98%, respectivamente.
Mas para além do trabalho dos brigadistas, as chuvas que chegaram nas cidades ajudaram na redução dos incêndios florestais. Para os próximos dias, contudo, a previsão é de pouca chuva e tempo constantemente nublado.
Sem queimadas, qualidade do ar melhora em Manaus
Sem as queimadas, o manauense também ganhou de presente no aniversário da cidade uma sensível melhoria na qualidade do ar, considerado no início do mês como um dos três piores do mundo, segundo avaliação do World’s Air Pollution.
No dia 11 de outubro, por exemplo, a cidade apresentava um nível péssimo de qualidade do ar. Naquele dia, o índice de poluição em Manaus era de 439 ug/m3 (unidades microgramas por metro cúbico), perdendo apenas para Dalanzadgad, na Mongolia (618), e Elverum, na Noruega (1234).
Nesta quarta-feira, o Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva) mostrava que em apenas um bairro de Manaus, o Parque Dez, Zona Centro-Sul, a qualidade do ar era considerada ruim.

Vazante perde força
Quem também deu sinais de trégua foi a vazante do rio Negro, que desacelerou nesta quarta-feira, tendo descido apenas seis centímetros, contra uma média de 10 cm ao longo de todo este mês.
Os técnicos do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) informaram que a boa notícia sobre este assunto é a subida do rio Solimões medido na estação de Tabatinga, onde há subidas consistentes há pelo menos uma semana.
Essa melhora ainda não é captada pelas estações de Coari (Itapeaçu) ou Manacapuru, o que indica que o manauense só vai ver os efeitos disso em mais ou menos 10 dias, período que as águas demoram para “viajar” do Alto Solimões até o Encontro das Águas.