O Sistema Integrado de Manejo da Fauna (Simaf) tem registrado, desde 2018, a presença da espécie exótica de javalis na fronteira do Amazonas. O animal, que vive em bandos de até 70 indivíduos, é considerado nocivo para a fauna local, mas está com a temporada de caça suspensa pelo Governo Federal.
Conforme registro do Simaf, bandos de javalis – e o fruto do cruzamento deles com porcos nativos, o Javaporco – foram vistos no Acre, Rondônia e Norte do Mato Grosso, região pantaneira que faz fronteira com municípios do Sul do Amazonas.
Confira a presença de Javalis no Brasil:

Javalis: nocivos e destrutivos
O javali (Sus scrofa) é um porco selvagem nativo da Europa, da Ásia e da África, tendo sido introduzido na América do Sul no início deste século, e tornando-se espécie exótica invasora. O cruzamento com outros animais originou o javaporco.

Atualmente, o javali é considerado responsável por prejuízos à produção agrícola, por riscos sanitários especialmente na suinocultura e por danos à fauna e à flora nativas, além de favorecer processos erosivos e assoreamento de corpos d’água.
Na Câmara Federal uma audiência pública discutiu a reorganização do Simaf e o retorno da temporada de caça do javali em função da perigosa disseminação deles numa região sensível como a Amazônia.
“Olhando para a Covid-19 e os impactos dela – sanitários, econômicos e sociais –, não podemos menosprezar os riscos de que uma espécie exótica invasora transmita doenças que poderão ficar fora de controle”, disse o deputado federal Ismael Alexandrino (PSD/GO).
O risco da entrada dessa espécie no Estado que tem a maior floresta preservada da Amazônia é grave, conforme ambientalistas ouvidos pelo Realtime1.
“Eles, em bando, não têm predadores, consomem todo o recurso necessário para a sobrevivência do grupo, o que implica numa competição desleal com as espécies nativas. Essa é a teoria, portanto precisamos evitar essa entrada em massa dos bandos“, diz o agrônomo Mário Alberto de Melo.
O coordenador da vigilância sobre doenças animais do Ministério da Agricultura e Pecuária, Guilherme Takeda, e o consultor do Instituto Pensar Agropecuária, João Carlos Carli, defenderam o manejo do javali por meio da caça controlada pelos órgãos do Simaf.
O Plano Nacional de Prevenção, Controle e Monitoramento do Javali no Brasil, criado em 2017, prevê a captura e abate de indivíduos da espécie perdeu a vigência em janeiro de 2022. O governo avalia uma nova versão, sem data definida.