terça-feira, 29 de setembro de 2026
MEIO AMBIENTE

Igarapés são um grande "lixão" de Manaus, é o que revela a seca histórica

Na cidade de Manaus, a histórica seca dos rios têm revelado o acúmulo de lixo nas orlas e igarapés.
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As informações são do Comitê de Intersetorial de Enfrentamento à Situação de Emergência Ambiental. Nos últimos cinco dias, o nível do Rio Negro, em Manaus, subiu 35 cm. (Foto: Divulgação)

Repleta de igarapés poluídos, a cidade de Manaus encara outro grave problema ambiental: as orlas são um grande ‘lixão’. O cenário é comprovado com a exposição dos leitos secos, rastros da estiagem histórica que ainda perturba o cotidiano dos manauaras.

Segundo dados da Secretaria Municipal de Limpeza Pública (SEMULSP), nos períodos normais antes da estiagem foram retirados em média 27 toneladas por dia de lixo, durante os serviços de limpeza de rios e igarapés da cidade. Com a seca, a quantidade de lixo coletado saltou 48,15%, chegando a 40 toneladas de lixo por dia.

Os bairros mais afetados pelo acúmulo do lixo são o Centro, nas imediações do Porto de Manaus, onde as margens dos cursos d’água, antes submersas, ficaram com lixo acumulado de todo o tipo. Nas proximidades, no bairro Educandos, também zona sul de Manaus, a seca expôs o lixo jogado nos rios, como plásticos, garrafas, restos de materiais de construção, pedaços de madeira, entre outros.

Na zona leste, o lixo se acumulou em torno dos igarapés que secaram, o que incomoda bastante a população.

Segundo SEMULSP, ações diárias que também contam com balsas e botes estão garantindo a limpeza da orla dos igarapés de Manaus, trabalho que acontece simultaneamente em varias áreas. Outra estratégia é o uso de lixeiras flutuantes, garantindo a eficácia na coleta dos resíduos.

Poluição exige ações efetivas do poder público, diz pesquisador

Limpeza dos rios da cidade de Manaus, pela SEMUSLP. (Foto: Redes Sociais)

Estudioso da questão hídrica no Amazonas, o pesquisador Sérgio Bringel, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), considera que a seca expõe o lixo e deixa evidente um problema histórico no estado: a falta de uma política pública efetiva para evitar a poluição dos igarapés. Essa ausência é a responsável por 95% dos igarapés estarem completamente poluídos.

“As únicas exceções da cidade, hoje, são os igarapés que nascem na Reserva Duck. Mas assim que saem de lá, como é o caso do Água Branca, já começam a se contaminar. Essa tonelada de lixo mostra a deseducação do nosso povo, mas precisamos ter não só educação ambiental, mas educação cívica”, diz.

Acrescenta: “Existem normas de fiscalização. Desde 2000 já se nota o impacto do lançamento do esgoto na bacia do Rio Negro, mas tem gente que acha que o nosso rio deve continuar sendo depósito dos dejetos.”

Outro problema da poluição que afeta os igarapés é a poluição dos lençóis freáticos da cidade. Segundo Bringel, que é formado em química e possui doutorado em solo e nutrição pela Universidade de São Paulo (USP), algumas regiões da cidade, como a zona Sul, já possuem poços contaminados.

“A poluição impacta no lençol freático, dependendo da profundidade dele. Você abre um poço em uma área que está contaminada, vai contaminar a área do lençol freático. Já temos alguns poços contaminados na bacia do Educandos, bacia do São Raimundo, poços rasos em torno de 40 metros”, ressaltou o pesquisador do Inpa.

O RealTime1 procurou a assessoria da SEMUSLP, bem como também o Secretário Sabá Reis, para esclarecimentos sobre as ações para limpeza dos igarapés, assim como a educação ambiental para prevenir a poluição. Mas não houve resposta até o fechamento desta matéria.

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