quarta-feira, 23 de setembro de 2026
CLIMA

Mega-incêndios: o futuro do Amazonas sem as chuvas

Com menos chuvas atingindo a região, pesquisador do Inpa alerta para a ocorrência de mega-incêndios florestais .
COMPARTILHE
Incêndio florestal na estrada de Autazes
Realtime1 flagra incêndio florestal nas margens da estrada de Autazes, no Amazonas

A chuva que atingiu Manaus e parte dos municípios da Região Metropolitana, nesta segunda-feira (16), ajudou a apagar os incêndios florestais que trouxeram fumaça para a capital amazonense, mas também expôs o risco que a região enfrentará em longos períodos sem chuvas decorrentes do desmatamento.

O aviso é do curador do herbário da coleção científica das plantas da Amazônia do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa), Mike Hopkins. Além das mudanças em parte do bioma diretamente pelas ações do homem, ele se preocupa com os impactos das mudanças climáticas.

Diante do desmatamento e da redução das chuvas na Amazônia, o maior medo de Mike Hopkins, no momento, é a ocorrência de “incêndios apocalípticos”, como os ocorridos no Canadá e em outros países da Europa no primeiro semestre deste ano.

O nível de desmatamento influencia o clima, a probabilidade de chuvas, a probabilidade de ter incêndios. Estamos entrando num período de alto risco de mega-incêndios. Sempre tinha alguma chuva, mas tem havido pouco. A floresta está muito triste no momento, está muito seca“, afirma Hopkins.

Desmatamento em queda x incêndios

Em julho de 2023, foram desmatados na Amazônia, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), 500 quilômetros quadrados, contra 1.487 quilômetros quadrados no mesmo período do ano anterior, o que aponta uma queda expressiva de 66,4%.

Considerando que o ano de desmatamento é contabilizado pelo instituto de 1º de agosto de um ano a 31 de julho do ano seguinte, a redução total nesse último período (2022-2023) foi de 7,4%.

No Amazonas, segundo dados do Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas (Ipaam), a queda no desmatamento foi ainda maior, quase 70% em relação ao mesmo período do ano passado, mas por conta do El Niño do Pacífico e o aquecimento anormal das águas do Atlântico houve menos chuvas.

Sem as chuvas para apagar incêndios descontrolados, como os flagrados pela equipe do RealTime1 na semana passada em Autazes, Careiro Castanho e Manaquiri, haverá, conforme Hopkins, um crescimento no poder de destruição destes incêndios na região.

Confira o vídeo gravado pela equipe do RealTime1 em Autazes:

COMPARTILHE