A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, anunciou nesta sexta-feira (13) o envio de mais 100 brigadistas do PrevFogo para combate às queimadas na Região Metropolitana de Manaus. Kits de combate a incêndios e dois aviões para essa finalidade também estão sendo direcionados ao Amazonas. O anúncio foi feito durante entrevista coletiva em Brasília.
A intensificação das queimadas criminosas em meio à forte estiagem tem resultado no aparecimento de densas nuvens de fumaça em áreas com grande população como a capital Manaus e outras cidades do Estado.
Durante a coletiva, Marina Silva enfatizou que o principal vetor das queimadas é o desmatamento.
“Não existe fogo natural na Amazônia. O fogo, ou ele é feito propositadamente por criminosos, ou é a transformação da cobertura vegetal, para determinados usos e depois o ateamento de fogo”, disse,
Ela fez um apelo para que a população local contribua evitando colocar fogo em seus terrenos neste momento.
Segundo ela, estão sendo feitos remanejamentos das equipes do PrevFogo, priorizando o Amazonas. “Nas áreas em que temos chuvas, nós estamos remanejando [os brigadistas] para as áreas em que temos dificuldade de controle do fogo por parte dos estados”, destacou.
“O Ministério do Meio Ambiente atua nas unidades federais, mas, como costuma dizer o ministro Waldez [Góes, do Desenvolvimento Regional e Integração], nós estamos ajudando suplementarmente os estados. E queremos estar presente com todo o nosso efetivo nas áreas que mais precisam”, acrescentou.
“Nós, nesse momento, temos já no Estado do Amazonas cerca de 200 brigadistas. Estamos movimentando mais 100 brigadistas. Será um total de mais de 300 brigadistas que ficarão à disposição do Estado para esse trabalho, como já estamos fazendo. Já disponibilizamos alguns especialistas para trabalhar e ajudar nas ações de planejamento. Combater fogo requer muita competência técnica, persistência e capacidade de atuar em situação de risco. E precisa de uma ação coordenada”, disse a ministra.
“Estamos também já com o encaminhamento, graças a ajuda da Força Aérea Brasileira, para entregar os kits que foram solicitados pelo Governo do Estado. Provavelmente isso vai estar chegando entre hoje e amanhã, disponibilizando mais duas aeronaves para esse combate ao fogo”, acrescentou.
Marina disse que a situação é de extrema gravidade. De acordo com ela, há um cruzamento de três fatores que resultaram nesse cenário de crise: estiagem agravada pelo El Niño, mudanças climáticas e incêndios criminosos.
“O primeiro deles é a grande estiagem provocada pelo El Niño, que é agravada pelo problema da mudança do clima. Material orgânico, matéria orgânica em grande quantidade ressecada, aterramento de fogo em propriedades particulares e dentro de áreas públicas de forma criminosa, faz com que se tenha duas frentes de combate no Estado do Amazonas. A frente ali no Sul do Amazonas, dentro de terras públicas federais e no entorno de Manaus, sobretudo naquela região ali do Careiro e de Autazes, onde temos nesse momento vários focos de calor”, destacou.
A ministra disse que a ação dos efetivos de combate aos focos de queimadas “precisará muito fortemente de uma ação da população para que se pare de atear fogo, porque o que nós temos hoje é uma situação bastante perigosa”.
“Nós temos uma estiagem prolongada e nós temos muita matéria orgânica acumulada, completamente ressecada. Não adianta as pessoas acharem que é apenas mais um que está colocando fogo. De um em um, nós temos uma situação em que hoje temos, no Estado do Amazonas, pelo dado de ontem (12), porque nós não tínhamos fechado, não temos o dado fechado até agora, mais de mil focos de calor”, ressaltou.
Marina Silva disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) determinou que os órgãos federais atuem em parceria com os governos dos estados, dispondo de tudo o que for necessário.
A ministra contextualizou que a situação é adversa, tendo em conta que o governo de Jair Bolsonaro (PL) sequer havia disponibilizado recursos para o atendimento de emergências da Defesa Civil no projeto de lei orçamentária para 2023.
“Nós não tínhamos esse planejamento no governo anterior, nós assumimos o governo agora, mas procuramos ser previdente, contratando as pessoas no tempo certo, fizemos a medida provisória para a alocação de recurso extra, para as ações de combate ao desmatamento e queimadas”, disse.
Ela observou que o cenário poderia ser ainda pior. “Mesmo com uma redução de 64% no desmatamento no Estado do Amazonas, nós ainda temos uma situação de bastante dificuldade. Imagine se tivesse mantido o padrão que tínhamos no ano passado”, provocou.