terça-feira, 29 de setembro de 2026
SECA 2023

Cinco das seis bacias seguem com níveis anormais de vazante

A única calha que está descendo dentro das médias históricas é a do rio Branco, que é o principal afluente do rio Negro.
COMPARTILHE
A ministra Marina Silva anunciou a criação do centro de monitoramento de incêndios e seca na Amazônia
Seca extrema cresce 2000% na Amazônia (Foto: reprodução)

Cinco das seis calhas de rios da Amazônia monitoradas pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM) estão com níveis abaixo da normalidade para este momento da vazante. A informação está no Boletim de Monitoramento Hidrometeorológico da Amazônia.

A única calha que está descendo dentro das médias históricas é a do rio Branco. Nas estações de medição em Boa Vista o Branco desceu 28 centímetros em sete dias. O mesmo foi visto na estação do município de Caracaraí.

O rio Branco é o principal afluente do rio Negro e seu período de vazante influencia no comportamento do Negro a partir da foz dele, abaixo da sede do município de Barcelos, na região do Médio Rio Negro.

A calha do rio Negro está em todas as estações em níveis abaixo da normalidade, mas o ritmo da descida das águas diminuiu ao longo desta semana.

Em São Gabriel da Cachoeira a vazante aconteceu com descidas regulares. Na comunidade de Tapuruquara, no município de Santa Isabel do Rio Negro, a descida foi com menos intensidade do que na semana anterior. Em Barcelos a descida manteve o ritmo regular em relação a semana anterior.

A boa notícia vem de Manaus, onde a vazante perdeu intensidade e após passar os últimos dias de setembro descendo em média 30 centímetros por dia, na semana encerrada nesta sexta-feira a média diária de descida foi de 12 centímetros. A calha, como um todo, segue com valores abaixo da média

As estações que monitoram o rio Solimões em Tabatinga, Fonte Boa, na comunidade Tapeuá, em Coari, e Manacapuru registra descidas, mas com menos intensidade que em setembro. No geral, o Solimões está com níveis ainda abaixo da normalidade.

Outra calha importante para equilibrar a situação no Solimões é a do rio Purus, onde os níveis estão abaixo do esperado para esta época. Conforme o boletim do CPRM, a estação de Rio Branco (AC) mostrou uma estabilidade no nível do rio Acre, principal afluente do Purus.

No município de Beruri, quase na foz do rio, a estação de medição mostrou que o Purus desceu com menos intensidade nesta primeira semana de outubro. Apesar disso, o nível do rio segue abaixo da faixa de normalidade para este período

A rapidez da descida do rio é apontada como uma das causas para o desbarrancamento que matou duas pessoas na comunidade Arumã, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Piagaçu-Purus, na zona rural de Beruri.

Hidrovias comerciais em risco

As duas calhas mais importantes para o desenvolvimento econômico da região seguem descendo e com níveis abaixo da normalidade para este período.

O rio Madeira, na estação de Humaitá, continua descendo, mas com menor intensidade. O problema desta calha está em Porto Velho (RO), onde a descida entrou em ritmo regular, mas com o nível geral do rio estando bem abaixo da normalidade do período.

Na capital rondoniense, inclusive, foi preciso desligar a usina hidrelétrica de Santo Antônio por conta da vazante extrema. Com o rio Madeira nessa situação, a navegação de cabotagem para o Amazonas está quase parando.

As embarcações que traziam alimentos, produtos em geral e insumos para as industrias da Zona Franca de Manaus estão operando com, no máximo, 20% da capacidade com o objetivo de não encalhar nos bancos de area.

Está previsto para a próxima semana a assinatura pelo Ministério dos Portos e Aeroportos a ordem de serviço para a obra de desassorreamento do rio Madeira, uma ação essencial para trazer a navegação de cabotagem para um ritmo melhor.

Por fim, o CPRM também destaca que o rio Amazonas entrou num período de vazante menos intensa, com as estações de Careiro da Várzea e Itacoatiara registrando descida de até 14 centímetros em média.

Chuvas na bacia

O boletim também aponta que o final da estação seca chegou em parte da região, mas ainda são pequenas as precipitações de chuvas sobre os rios da região que são monitorados pelo CPRM.

Segundo os técnicos, os volumes de chuva mais elevados ocorrem nas bacias localizadas no norte e noroeste da região (rios Branco, Negro e Solimões) e os menores no extremo sul da área monitorada (rios Amazonas, Madeira e Acre)

COMPARTILHE