quinta-feira, 24 de setembro de 2026
POLUIÇÃO

Polícia Federal incendeia balsas e piora 'fumaceiro' em Manaus

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Balsas de garimpo são incendiadas por agentes da polícia federal e pioram o ar que o manauense respira há duas semanas
Com aumento da fiscalização, produção de ouro no Brasil cai (Foto: reprodução)

Em plena crise da fumaça que atinge Manaus e municípios da Região Metropolitana, a Polícia Federal deu a contribuição dela para piorar o ar que o manauense respira ao incendiar nove balsas de garimpeiros ilegais durante a execução da Operação Draga Zero em pleno rio Negro, no bairro de São Raimundo, na zona oeste.

A operação policial ocorre desde o início de setembro e já destruiu, por incêndio e afundamento, 302 balsas que carregam equipamentos para dragagem dos rios em busca de ouro.

Nesta sexta-feira (6), delegados que atuaram na operação deram detalhes da investigação, mas não falaram sobre a decisão de incendiar equipamentos na orla da cidade que há duas semanas sofre com o fumaceiro das queimadas.

Na fase realizada nesta quinta-feira, foram destruídas balsas encontradas em manutenção em estaleiros de Manaus e nas margens do rio Madeira, no município de Autazes

A fumaça preta causada pelo incêndio dos equipamentos e do combustível em seus tanques irritou quem via a imagem da beira rio e lembrava que o manauense está respirando o ar que o diabo soprou das queimadas realizadas em municípios do Sul do Estado e na zona rural da Região Metropolitana.

Conforme a Polícia Federal, a ação foi necessária para “estancar as ameaças ao meio ambiente e coibir novas investidas a esta prática criminosa, dada a inviabilidade de apreensão, nove dragas identificadas na ação de hoje foram totalmente destruídas e inutilizadas. Além disso, foram encontradas pepitas de ouro e jóias que foram apreendidas e encaminhadas à perícia“.

As investigações e investidas da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado e órgãos parceiros contra os delitos ambientais continuam, com especial atenção à identificação das lideranças e demais integrantes da associação criminosa, bem como à sua completa descapitalização, inclusive para reparação dos danos impostos à sociedade.

Nas redes sociais trabalhadores que atuavam na manutenção das balsas em estaleiros localizados na orla de São Raimundo reclamam que as balsas estavam certificadas, mas que os policiais federais tomaram a decisão de inutiliza-las assim mesmo.

Em um dos vídeos o trabalhador informa que numa das balsas que foram levadas para o meio do rio Negro estava com 30 mil litros de combustível (diesel) e uma tonelada de óleo lubrificante.

O RealTime1 tentou ouvir a Polícia Federal sobre a conveniência de tocar fogo nas balsas em uma região cujos moradores estão sofrendo com o fumaceiro das queimadas. Até o momento não obtivemos resposta. Assim que tivermos, o texto será atualizado.

Um técnico do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas, que pediu para não ser identificado, falou que há respaldo legal para a ação da Polícia Federal, mas ponderou que foi o pior momento para fazer fumaça em Manaus, cidade que sofre com o fumaceiro das queimadas.

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