A prefeitura de Tefé, na região do Médio Solimões, interditou, nessa quinta-feira (5), a praia da Ponta Branca, o principal balneário da cidade em função da vazante extrema do lago de Tefé, onde 140 botos morreram desde a semana passada em função da temperatura da água.
Nesta quinta-feira, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) instalou um Comando de Incidentes (CI) no município para apurar a mortandade dos animais e criar equipes para resgatar animais encalhados.
De acordo com o Instituto Mamirauá, há indícios de que o calor e a seca dos rios da região estejam provocando as mortes de peixes e mamíferos na região.
“Estamos reunindo todos os esforços para atender a essa emergência e resgatar o máximo de animais vivos, e recuperá-los”, enfatizou a comandante do incidente e chefe da Divisão de Emergência Ambiental do ICMBio, Cláudia Sacramento.
Segundo o ICMBio, o monitoramento da temperatura da água aferiu que ela está ultrapassando os 39º graus, o que resulta na redução do nível de oxigênio dissolvido e ao mesmo tempo aumenta a taxa respiratória dos peixes.
A temperatura da água afeta o metabolismo e provoca morte por asfixia. Em relação aos botos, até a última contagem, foram encontrados mais de 140 indivíduos mortos.
Cabe destacar que protocolos sanitários têm sido adotados para a destinação das carcaças. Alguns animais estão feridos pelas lâminas dos barcos a motor, pois não há profundidade para que mergulhem o suficiente para escapar das hélices.
Ao todo o Comando de Incidente mobiliza 48 profissionais, como veterinários, biólogos, servidores do Centro de Mamíferos Aquáticos (CMA) e da Divisão de Emergência Ambiental, além de instituições parceiras e voluntários envolvidos na logística para viabilizar as ações das equipes de intervenção.
A capitania dos Portos de Tefé está apoiando na fiscalização, ordenamento e desobstrução do lago para facilitar a passagem dos animais em busca de trechos mais profundos e evitar o agravamento da crise. Outro incidente está sendo acompanhado em Alto Juruá, envolvendo uma grande mortandade de peixes. Esse evento está em avaliação pelos Centros de Pesquisa do ICMBio.
O Comando de Incidentes também articulou junto à concessionária dos aeroportos de Manaus e Tefé para viabilizar o pouso de aeronave locada pelo Greenpeace para translado de suprimentos para atendimento à emergência. Essa mesma aeronave fará o transporte de amostras até Manaus.
Outro apoio importante foi o da Polícia Militar, que designou policiais para fazer a guarda das Bases da Emergência, como o acampamento onde veterinários realizam necropsias e coletas de amostras biológicas para análises histopatológicas, imuno-histoquímicas e metagenômica. Esse trabalho ocorre em parceria com a USP, UFRJ, Laboratórios LAPCON e Lutzs.