A seca dos rios e a estiagem (falta de chuvas), que pode ser prolongar até janeiro de 2024, vai colocar em risco o abastecimento de água nos municípios do Amazonas atendidos por Serviços Autônomos de Águas e Esgotos (SAAEs), que captam água do lençol freático por meio de poços artesianos.
A redução do lençol freático, onde é feita a captação da água distribuída aos consumidores, já é uma realidade no município de Itacoatiara. Na última sexta-feira, o SAAE do município distribuiu um alerta nas redes sociais informando sobre os riscos e pedindo a parceria da população para evitar desperdícios.

Segunda maior cidade do Amazonas, com 103 mil habitantes, Itacoatiara faz a captação de água em 42 poços tubulares que têm capacidade de produção de 10 mil metros cúbicos de água para a distribuição as mais de 23 mil unidades consumidoras.
Uma das três cidades que enfrentam uma seca excepcional, situação mais grave na classificação do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Tabatinga já enfrenta normalmente situação de racionamento ou mesmo falta de abastecimento, pois menos de 50% da população tem acesso a rede de abastecimento.
Com isso, a outra parte da população de Tabatinga recorre a cacimbas, poços rasos que não acessam o lençol freático e portanto secam mais rapidamente. Sem a rede e com as cacimbas secas, a cidade depende do Solimões, que já permanece em sua cota mínima para o período, segundo o CPRM.
Em Manaus, o risco de desabastecimento generalizado é pequeno, pois a concessionária Águas de Manaus faz a captação de água diretamente nos canais do rio Negro, na Ponta do Ismael, zona Oeste. e rio Amazonas, na estação do Proama, na zona Leste.
O problema pode afetar consumidores comerciais, como as indústrias do Distrito Industrial, e moradores de condomínios. Geralmente estes consumidores usam poços artesianos para captar água no lençol freático.
Conforme um técnico da Águas do Amazonas ouvido pelo RealTime1, há indústrias como a Moto Honda, maior empresa do Distrito, que não usam a rede da concessionária e uma redução na vazão do lençol freático pode colocá-la em situação de alerta, complicando o funcionamento e a produção.
Comitê Intersetorial de Enfrentamento à Situação de Emergência Ambiental no Amazonas, criado na última sexta-feira pelo governador Wilson Lima (União), tem entre suas diretrizes uma ação para reduzir o impacto da eventual redução do lençol freático nos municípios abastecidos por este tipo de esturtura.
Na constituição do comitê está previsto a “flexibilização da licença ambiental para (construção de) novos poços artesianos em áreas afetadas”, um dos entraves impostos pela legislação para se evitar a exaustão deste recurso natural e a poluição do mesmo.