Enquanto o prefeito David Almeida (Avante) e o deputado federal Amom Mandel (Cidadania) polarizam o cenário para as eleições de 2024, em Manaus, a um ano do pleito para a prefeitura, lideranças da esquerda manauara articulam o lançamento de uma frente progressista como alternativa aos dois políticos de direita.
Nesse cenário, a federação PT/PCdoB/PV, que elegeu Lula presidente em 2022, teria protagonismo na formação da chapa alternativa.
Assim, nomes conhecidos e novos da esquerda vêm trabalhando para viabilizar candidatura. Já se declararam pré-candidatos a prefeito de Manaus, por exemplo, Eron Bezerra, do PCdoB, e Zé Ricardo, do PT.
Outro nome que vem ganhando força é da dirigente nacional do Partido dos Trabalhadores Anne Moura, que no ano passado foi candidata a vice-governadora do Amazonas
Ao RealTime1, Anne disse que também está colocando seu nome à disposição para a disputa, mas que, mais importante que nomes, é a união de forças do campo político.
“Com toda certeza, é necessário a gente criar uma frente progressista, e aí não tem a ver com a escolha do nome ou só o protagonismo do PT. É importante a gente construir essa unidade na correlação de forças, inclusive que elegeu o presidente Lula. Se a gente pode pensar uma alternativa para Manaus, eu tenho certeza que tem pessoas e partidos comprometidos para pensar e para buscar essas saídas.”
“Eu, como membro da Direção Nacional e da Executiva Nacional da Federação, me sinto à vontade para ajudar nessa construção, assim como colocar o meu nome à disposição, mas essa é uma decisão não só do partido, mas da federação como todo. E, claro, convidar os partidos mais progressistas para que a gente possa dialogar e pensar as alternativas para Manaus”, concluiu Anne Moura.
Orbitam o Governo Lula partidos como o MDB, de Eduardo Braga; o PSB, de Serafim Corrêa; o Solidariedade, de Bosco Saraiva e Ricardo Nicolau; o PSD, de Omar Aziz; PDT, de Luiz Castro; e a federação PSOL/Rede.
Braga, contudo, tem se aproximado nos últimos meses de David Almeida, tendo inclusive indicado o atual secretário municipal de Habitação, Jesus Alves.
Zé Ricardo reafirma interesse
Outro expoente do PT, o ex-deputado Zé Ricardo também está à disposição para sair candidato majoritário novamente, como fez em 2016 e 2020, na disputa pela Prefeitura de Manaus, e 2017, na eleição suplementar para o Governo do Amazonas.
“Nas duas vezes que disputei a prefeitura, a gente teve que disputar internamente, dentro do partido, o nome de quem seria candidato. O deputado Sinésio Campos sempre concorreu e nas duas ocasiões eu fui escolhido. Sempre com dificuldades, porque dentro do partido existem antagonismos também em relação ao nosso nome. A gente foi candidato na primeira vez e ficamos em quarto lugar, agora em 2020 ficamos em terceiro. E é claro que meu nome está à disposição para a gente participar do processo de 2024”, destacou.
Zé Ricardo diz que as duas campanhas foram enriquecedoras, pois foram discutidas muitas propostas. Isso, afirma ele, o credenciaria para disputar novamente.
“O nosso plano de governo teve a contribuição de 400 pessoas que ajudaram voluntariamente em todas as áreas com propostas para resolver os grandes problemas da cidade. Então a gente está preparado pra enfrentar a eleição e debater com a sociedade”, disse.
Além a disputa interna, Zé reconhece que a “conjuntura política vai também impondo as condições”. Ele observa que a direção nacional do PT quer aumentar o número de prefeituras eleitas e que pretende priorizar algumas cidades, principalmente as grandes cidades.
“Agora, tem o lado das alianças também, da governabilidade. A gente sabe que isso influencia. Nós temos aqui no Amazonas um pouco isso. Aliás, talvez muito, porque você tem uma base de apoio político e nessa base de outros partidos também tem outros nomes para a prefeitura. Então, com certeza isso vai influenciar”, pondera.
Apesar disso, ele defende que o PT tenha uma candidatura própria na capital amazonense.
“Nós vamos continuar debatendo propostas para a cidade de Manaus e eu defendo que o PT sim tenha candidato a prefeito. Acho que nós não podemos ficar fora. A maior cidade da Amazônia, a importância que tem agora no debate que a gente tem sobre a Amazônia, recursos, investimentos, interesse internacional, desenvolvimento. Então, Manaus é fundamental, então eu defendo que o PT, sim, lute na federação para ter candidatura, busque uma aliança no campo da esquerda e com partidos que tenham o desejo de fazer mudanças na cidade”, acrescentou.
‘Atual gestão é muita festa e pintura’
Na avaliação de Zé Ricardo, a cidade de Manaus está “numa sequência de prefeitos que não se preocupem em enfrentar os grandes problemas”.
“A atual gestão, por exemplo, é muita festa, muita pintura de imóveis, mas os igarapés estão poluídos, não tem escolas novas sendo construídas, só reformadas ou um pouco enfeitadas”, criticou.
“Nós temos um problema seríssimo no atendimento à nossa saúde básica, onde somente 50% da população tem atenção básica. Não tem arborização na cidade, problema que fica ainda mais evidente nesse período agora de calor intenso. Você tem problema seríssimo da mobilidade urbana, não há intervenções no sistema viário, cada dia tem mais veículos, trânsito perigoso. O sistema de transporte está falido e não há nenhuma ação do poder público municipal. Então, só aí você já tem uma lista de desafios que eu acho que tem que ser enfrentados e não vai ser essa turma que está no poder aqui porque até agora não fizeram nada”, pontuou.