Os moradores de Manaus e dos municípios da Região Metropolitana estão há quase 30 dias sofrendo com a fumaça das queimadas que atingem a região neste período de estiagem (falta de chuvas), mas o que salta aos olhos é a incapacidade dos órgãos responsáveis de evitar o que é cíclico na região.
Em artigo publicado no RealTime1 com o título de “O invisível salta aos olhos“, o professor da Universidade Federal do Amazonas, Sérgio Gonçalves, questiona o por quê de “ainda nos causar surpresa a baixa eficiência do poder público diante deste cenário praticamente todos os anos?”
Na quarta-feira (27/09), o radialista Valdir Corrêa, o Garotinho, publicou um vídeo nas redes sociais da rádio Difusora, gravado do alto de um prédio na avenida Eduardo Ribeiro, mostrando, no meio da manhã, uma queimada localizada no outro lado do rio e que praticamente ocorre todos os anos no mesmo local.
No vídeo ele cobra uma ação do poder público diante de um fato que se repete e elenca os problemas que aquele tipo de problema gera para a população, até morte ressalta ele, e ao próprio poder público, que terá de arcar com os prejuízos decorrentes da situação.
Nesse local, o Corpo de Bombeiros manteve, desde a segunda-feira, uma força-tarefa tentando controlar a queimada natural de grandes proporções. Com a explosão de ocorrências, os militares estão deixando um caso e seguindo para o outro. Só no mês de agosto, a capital amazonense registrou uma média de seis incêndios por dia, incluindo os residenciais.
Monitoramento e controle x recursos
A falta de recursos não pode ser apontada como um fator determinante para que um problema cíclico continue trazendo a fumaça e os problemas para os moradores dessa região do Estado.
Como diz Gonçalves, os municípios que mais queimam a floresta nessa época do ano são os mesmos há muito tempo. Ressalta também que há uma lógica econômica por trás das queimadas e da fumaça que irrita os manauaras.
A previsibilidade garante tempo e espaço para a preparação dos responsáveis por combater queimadas e incêndios na Amazônia por parte de órgão como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis.
O Ibama tem aprovado um projeto no Fundo Amazônia, o PrevFogo, que recebe R$ 14 milhões para fiscalização, controle e contratação de brigadas de combate a incêndios.
E apesar de, neste mês, ter sido lançada a Campanha Amazônia Sem Incêndios não há informações que o PrevFogo tenha ao menos contratado pessoal para combater os incêndios e as queimadas que afligem Manaus ou iniciado uma campanha de comunicação para reduzir a incidência do problema.
Ações para conter o fogo no Amazonas
Desde o início do ano, o Governo do Estado realiza operação para combater o desmatamento e as queimadas ilegais no Sul do Amazonas, região com forte produção agropecuária e que concentra os maiores números de ocorrências de crimes ambientais.
Desde março, as fiscalizações ambientais realizadas na Operação Tamoiotatá 3 renderam R$ 231,5 milhões em multas por crimes contra o meio ambiente no Amazonas. Só entre julho e agosto, foram R$10 milhões nas ações de combate ao desmatamento e queimadas no sul do estado.
De acordo com o governo estadual, a maioria das ocorrências no último mês foi registrada em Humaitá (a 590 quilômetros de Manaus). No município, foram 26 alvos fiscalizados; 2.053 quilômetros percorridos (por viatura); 20 autos de infração; R$ 10.014.824,45 em multas aplicadas; 16 áreas embargadas, que juntas somam 317,5 hectares; uma notificação; e cinco apreensões. Não houve registro de prisões.
Por conta das queimadas e da seca severa, o governador Wilson Lima decretou no dia 12 de setembro Situação de Emergência Ambiental em municípios das regiões Sul do Amazonas e Região Metropolitana de Manaus e também apresentou um plano de ação da Operação Estiagem 2023 com investimentos de, aproximadamente, R$ 100 milhões e envolvimento de 30 órgãos da administração direta e indireta do Governo do Amazonas.