Definidos como os melhores amigos do homem, os cachorros também são vistos como indesejáveis por muita gente que teme ou que já viveu algum episódio de violência envolvendo os animais. No Brasil, não há espécies proibidas, mas em países da Europa, Estados Unidos e Canadá pelo menos cinco raças são vetadas após casos de agressões.
A última raça proibida no Reino Unido, mês passado, foi a Bully XL: definida como cão mortal. A medida foi uma resposta a ataques registrados no país. Mas a lista de cães indesejados no mundo – pelo menos motivo-, inclui raças como o Pitbull, Staffordshire bull terrier, Fila brasileiro e Bullterrier.
Mas afinal, os cães podem ser considerados naturalmente agressivos apenas pela sua raça ou a personalidade do animal é moldada pela criação?
Especialistas afirmam que existem várias causas para a agressividade canina, incluindo fatores genéticos, ambientais e de treinamento. A verdade é que qualquer cachorro pode se tornar um perigo se não for criado e treinado de maneira correta.
“Quando a gente fala de cães menos dóceis, na verdade, não existe uma raça mais agressiva ou menos agressiva. Existem indivíduos que têm um temperamento mais forte que o outro”, disse o adestrador de cães, Felipe Turello.
Ao escolher um filhote, a recomendação é atentar às características do bicho e não necessariamente a sua raça. A rotina do próprio tutor é um ponto indispensável nessa escolha, explica Turello.
“Se for um cachorro muito agitado, que precisa de atenção, e sua rotina for bastante movimentada, não vai dar certo. Dois seres agitados, um sai para trabalhar e o outro fica trancado em casa, naturalmente o cão que fica trancafiado vai começar a adotar atitudes indesejadas”, disse.
Felipe afirma que existem algumas fases na criação dos cães, e que o período de assimilação, quando eles ainda são filhotes é crucial para o comportamento na fase adulta.
“O filhote deve ser apresentado ao máximo de coisas, pessoas e ambientes possíveis, para ele conseguir se adaptar com maior facilidade às mudanças que podem vir a acontecer”, afirmou.
A veterinária Bell Oliveira discorda da tese de que há animais mais violentos que outros. Ela relata que já foi criadora de vários tipos de cães como bulldog francês, american bully, pitbull e yorkshire, e afirma que o comportamento de cada um tem mais a ver com a criação e o ambiente do que com a raça.
“O animal é reflexo daquilo que o dono passa para ele. Se a criação do cão for em um ambiente de briga, onde as pessoas gritam com ele, batem nele, ele vai se adaptar àquele ambiente e reagir de acordo com a forma que é tratado”, ressaltou.
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