O consumidor do Amazonas teve, nesta terça-feira (15), um exemplo de apagão de energia gerado por estarmos conectado ao Sistema Interligado Nacional (SIN) de energia elétrica. Além de Manaus, outros cinco municípios ficaram sem energia: Manacapuru, Iranduba, Presidente Figueiredo, Parintins e Itacoatiara.
A lógica do SIN é integrar todas as formas de geração de energia no País, permitindo que o sistema alimente as cidades com energia abundante e segura. Episódios como o apagão desta terça-feira no Amazonas são considerados exceção na qualidade do serviço oferecido pela geração integrada.
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Conforme o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), houve por volta de 8h30 uma redução de carga equivalente a 16 mil megawatts que derrubou a interligação entre as regiões Norte/Nordeste, onde houve o problema, e as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
Com a queda da interligação, o ONS desconectou o abastecimento das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, numa operação que os técnicos chamaram de “controlada e preventiva”. O apagão atingiu o Amazonas e mais 24 Estados e o Distrito Federal. Só Roraima não sofreu com o desabastecimento.
Apagão no Amazonas após integração com o SIN
Pela lógica do SIN, a produção de energia hidrelétrica, a principal matriz do SIN; eólica (gerada por ventos), térmicas (movidas a gás ou diesel), solar e a nuclear geradas nas usinas de Angra 1 e Angra 2, é toda jogada em linhas de transmissões que cortam o País e podem ser manejadas pelo ONS.
O Amazonas, com Manaus e mais cinco municípios, está conectado pelo linhão de Tucuruí, obra realizada ao longo do segundo governo do presidente Luís Inácio Lula da Silva e entregue no governo da ex-presidente Dilma Rousseff. Silves será a próxima cidade a ser interligada ao SIN.
O linhão de Tucuruí custou aproximadamente R$ 3 bilhões e conectou as turbinas da hidrelétrica de Tucurui às distribuidoras de Manaus e Macapá (AP). O trecho final deste linhão interligará o SIN à Boa Vista, em Roraima, uma obra autorizada há duas semanas durante a visita de Lula a Parintins.
Energia entra e sai no SIN
O linhão tem circuitos duplos, portanto tanto pode fornecer energia para uma determinada localidade quanto receber energia gerada nesta localidade. O remanejamento é feito pelo Operador Nacional do Sistema (ONS).
A energia que chega para o Norte é gerada principalmente pela usina de Tucuruí, que fica no município paraense de mesmo nome e localizado a aproximadamente 300 quilômetros de Belém. A capacidade de geração de energia chega a impressionantes 8.370 megawatts.
Para se ter ideia dessa geração, Manaus, a maior metrópole da região Norte, consome entre 700 e 600 megawatts/dia, sendo que parte disso, cerca de 25%, é suprido pela hidrelétrica de Balbina, em Presidente Figueiredo, que gera em média 150 megawatts e também joga energia no SIN.
De acordo com dados recolhidos pela Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados e Contratados do Amazonas (Arsepam), Manaus também gera energia para o próprio abastecimento e joga energia no SIN por meio das usinas termoelétricas movidas a gás natural vindo de Urucu.
Em janeiro deste ano, 12 usinas termelétricas do Amazonas consumiram 122,6 milhões de metros cúbicos de gás na geração de energia. No total, quase 60% da energia consumida pelos manauenses sai de usinas térmicas movidas a gás, como a Christiano da Mata, na BR-174, e a maior de todas, a Mauá 3, no Mauazinho, Zona Leste.