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sábado, 28 de maio de 2022

Caciques da política do AM trocam de partido como trocam de roupa

Amazonino, Braga, Omar e Arthur, os quatro principais "caciques" da política amazonense, juntos, trocaram oficialmente de partido 29 vezes desde a redemocratização do Brasil.

18 de março de 2022

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Caciques do Amazonas que, neste ano, encontram dificuldades em fechar acordos partidários para o pleito de outubro (Foto: Reprodução)

Os quatro principais “caciques” da política amazonense, juntos, trocaram oficialmente de partido 29 vezes desde a redemocratização do Brasil, no anos 80.

Neste domingo (20), o ex-governador Amazonino Mendes passa a liderar este ranking do “caos partidário” ao anunciar a filiação dele ao nono partido. Uma média de um partido novo a cada quatro anos. Isso sem contar o tempo da militância clandestina no PCB, o partidão, durante o período da ditadura militar (1964-1985).

O senador Omar Aziz (PSD), que filiou-se pela primeira vez em 1984 ao PCdoB, quando ainda era estudante universitário de engenharia e lutava pela redemocratização do país, está em seu oitavo partido e Eduardo Braga, no sétimo, desde que ganhou o primeiro mandato eletivo dele para a Câmara Municipal de Manaus pelo então PDS. Mas há quem considere ele trocou de partido oito vezes, se considerado o retorno dele para o MDB (antes, PMDB), após 18 anos.

O ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio Neto, o único dos quatro que não foi governador do Amazonas, é o “lanterninha” no troca-troca: em 52 anos de filiação partidária, está no seu terceiro partido.

Ideologia política?

Um ponto que afasta Arthur dos outros líderes do “caos partidário” é a afinidade ideológica entre os partidos aos quais ele foi filiado, sempre estando em partidos de esquerda ou centro-esquerda. Depois de sair da clandestinidade, em 1978, o ex-prefeito, que deverá ser candidato ao Senado neste ano, ingressou no MDB, o partido de oposição a ditadura e foi canditado a deputado federal, sem, contudo lograr êxito.

Quatro anos depois, com o fim do bipartidarismo (Arena x MDB), Arthur migrou para o sucessor do MDB, o PMDB, e se elegeu deputado federal pela primeira vez. Ele ficou no partido de Ulisses Guimarães até 1986, quando rompeu com o então governador Gilberto Mestrinho, que indicou Amazonino para disputar a sucessão dele, e foi para o PSB, que liderou a coligação de esquerda Muda Amazonas. Amazonino ganhou aquela eleição e Arthur seguiu entre os socialistas até se eleger prefeito de Manaus em 1988.

Na prefeitura de Manaus, Arthur Neto ingressou no recém criado PSDB, que atuava na Assembleia Nacional Constituinte sob a liderança do ex-governador paulista Mário Covas. Até hoje Arthur está no PSDB, embora pela primeira vez tenha de encarar uma oposição aberta, no caso feita pelo senador Plínio Valério.

‘Troca-troca’ de partidos pode demonstrar falta de identidade partidária, avaliam analistas. Mas no caso de Amazonino, mostra sagacidade nas horas dos conchavos políticos.

Advogado da Arena

Amazonino Mendes que aproximou-se da política quando foi advogado da Aliança Renovadora Nacional (Arena) partido político brasileiro criado em 1965 com a finalidade de dar sustentação política à ditadura militar instituída a partir do Golpe de Estado em 1964.

Chegou a militar no PCB, mas ao longo de sua carreira política, não se incomodou em ir da esquerda para a direita do espectro político.

O primeiro partido oficial dele foi o PMDB, pelo qual foi indicado prefeito de Manaus em 1983 e governador em 1986. No cargo, em 1988, Amazonino levou a canoa dele para a direita, ingressando seguidamente em partidos mais conservadores: PDC, PPR, PPB, PFL (ex-Arena e ex-PDS, partidos de apoio a ditadura militar), e PTB.

A série de partidos conservadores de direita encerrou com o ingresso dele, em 2011, no PDT. Pelo PDT foi eleito governador-tampão em 2017 e disputou a reeleição em 2018, mas perdeu para Wilson Lima (União Brasil). No ano seguinte uma nova troca, dessa vez em direção ao Podemos, um partido considerado de Centro no espectro político.

Pelo Podemos Amazonino disputou em 2020 a eleição para prefeito de Manaus, mas novamente não obteve sucesso ao perder para David Almeida (Avante). Reclamando que não tinha o controle do partido, Amazonino se desfiliou do Podemos em julho do ano passado, levando com ele a esperança de ingressar no União Brasil, que neste ano optou pela filiação do governador Wilson Lima.

Sem o UB para chamar de seu, o ex-governador flertou ao longo desta semana com PV, Cidadania, PSDB e Republicanos e prometeu que hoje (18) anunciaria o futuro partidário dele, mas transferiu essa decisão para o próximo domingo.

Partido da ditadura

Eduardo Braga entrou na política como vereador de Manaus pelo PDS (1982), partido que dava sustentação a ditadura militar, mas mudou de lado logo na eleição estadual seguinte, quando a convite de Amazonino se elegeu deputado estadual pelo PMDB.

Nos dez anos seguinte, Braga exerceu mandatos de deputado federal, vice e prefeito de Manaus em partidos considerados de direita, a saber: PDC, PPR, PPB e PSL, sempre ao lado de Amazonino Mendes. O rompimento veio na eleição de 1988, quando ainda no PSL enfrentou a candidatura reeleitoral de Amazonino Mendes, que conquistou naquele ano o terceiro mandato de governador do Estado.

Logo no ano seguinte, Braga foi para o PPS, partido de esquerda que era o sucessor do PCB e hoje se tornou o Cidadania. Pelo PPS e curiosamente com o apoio de Amazonino Mendes, Braga se elegeu governador em 2002. Em 2004, ele fez a última troca partidária ao ingressar no PMDB, hoje MDB.

Novas lideranças, velhas trocas

Com mais de 40 anos na política, os ‘caciques’ Arthur, Amazonino e Braga vão às urnas neste ano para conquistar novos mandatos e nas eleições vão enfrentar lideranças novas, mas que seguem alimentando o ranking do caos partidário.

O governador Wilson Lima, trocou de partido após pouco mais de quatro anos no PSC e vai disputar a eleição pelo poderoso União Brasil. A defensora Carol Braz fez movimento semelhante ao deixar o PSC, onde era aliada de Wilson, e ingressou no PDT, partido que oficializou a pré-candidatura dela ao governo do Estado nesta quinta-feira (17).

Texto: Gerson Severo Dantas

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