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quarta, 01 de dezembro de 2021

Pesquisador critica declaração de Amazonino: ‘Ele nunca moveu um dedo’

Para o pesquisador Moacir Biondo, Amazonino surpreendeu ao criticar e prometer mais investimentos para ciência e tecnologia. "Ele nunca moveu um dedo para isso", desabafou.

24 de novembro de 2021

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Amazonino já foi quatro vezes governador, diz que é preciso "começar" um trabalho sobre a farmacopeia possível extraída da nossa floresta. (Foto: Reprodução)

O candidatíssimo ao Governo do Amazonas pela quinta vez, Amazonino Mendes, parece ter esquecido das oportunidades que teve de melhorar o Estado no período em que foi o gestor maior e suas declarações continuam gerando polêmicas.

Durante entrevista à emissora afiliada do SBT no Amazonas no início desta semana, e mesmo já tendo sido governador por quatro mandatos e prefeito por três vezes, Amazonino disparou:

”Por que que a gente não começa o trabalho sério de pesquisa para levantar a farmacopeia possível extraída da nossa floresta? Nós temos o direito de crescer economicamente, de distribuir recursos para uma população sofrida, pobre e desvalida como a nossa”.

O RealTime1 repercutiu a fala do candidato com a comunidade científica.

Para pesquisador Moacir Biondo, o discurso de Amazonino não passa de hipocrisia. ”A fala dele é verdade, mas me impressiona pois ele, com tantas oportunidades de governar o Amazonas, nunca moveu um dedo para que isso acontecesse”, ressaltou.

Moacir, que atua no estudo de plantas medicinais há mais de três décadas, afirma que as pesquisas envolvendo a Floresta Amazônica representam menos de 2% da biodiversidade e que a falta de incentivos por parte do poder público é a grande responsável por essa defasagem.

”Ainda que o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e as universidades federais e estaduais da região tenham se debruçado sobre o assunto, ainda é muito pouco para nossa realidade, pois faltam políticas públicas para alavancar isso”.

O pesquisador deu o exemplo do Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA), que apesar de contar com uma estrutura de 12 mil m² de área construída, 26 laboratórios, central de produção de extratos, instalações para incubação de empresas e entre outros, continua subaproveitado. Biondo ressalta, mais uma vez, que Amazonino esteve no poder por um período suficiente para desenvolver essas frentes.

“Ele está falando o que o povo quer ouvir, ele teve essas oportunidades e nunca moveu um dedo pra isso, está jogando para a torcida”.

Outros pesquisadores procurados pelo RealTime1 concordaram com Biondo, mas preferiram não se identificar pois preferem evitar entrar no jogo político da eleição, já que a falta de políticas mais efetivas tem sido recorrente não só no Amazonas, mas no Brasil.

Um interiorano que ignorou o interior do Estado?

Natural de Eirunepé na região do Juruá, Amazonino é filho do interior, mas apesar de conhecer bem a realidade local e de saber da importância de investimentos na exploração sustentável da floresta, ele pouco fez para tirar as cidades desse isolamento científico.

”Uma pessoa como ele que é do interior do Amazonas deveria ter olhado com mais carinho para toda nossa biodiversidade. Nessa altura do campeonato eu esperava que ele já tivesse feito isso”, disse Biondo.

INPA é referência em pesquisas

No site do órgão é possível ter acesso a uma série de experimentos que estão em diversos estágios, todos relacionados com matérias-primas nativas. Um bom exemplo é o creme dental a base de plantas da Amazônia que possui propriedades cicatrizantes. O creme teve a propriedade industrial concedida em 2018.

As frutas também oferecem muitas possibilidades. Em 2015, um grupo de oito pesquisadores do INPA recebeu o registro de propriedade industrial do sabonete em barra à base de óleo de pupunha e de buriti que possui propriedade antioxidante, hidratante e higiênica.

Texto: João Luiz Onety

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