fbpx

sexta, 23 de julho de 2021

Ofícios comprovam omissão do Governo Federal em pandemia no Amazonas

SES-AM solicitou na 1ª e 2ª ondas da Covid-19 no Estado recursos em equipamentos e insumos do Ministério da Saúde; pasta não atendeu maioria dos pedidos a contento.

21 de junho de 2021

Compartilhe

Ministério da Saúde não respondeu nenhum dos ofícios do Estado no início 2ª onda (Foto: Divulgação)

O Ministério da Saúde (MS) não atendeu na íntegra ou simplesmente ignorou as solicitações de equipamentos e insumos da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) no auge da primeira onda – abril e maio de 2020 – e da segunda onda – janeiro de 2021 – da Covid-19 no Amazonas. Nas duas ocasiões, a capital Manaus virou o epicentro no Brasil dos efeitos mortíferos da pandemia. 

Da quantidade necessária de recursos médicos e hospitalares pedidos pelo Governo do Estado para cobrir a defasagem nos hospitais públicos, o MS não encaminhou nem a metade do solicitado. Essas informações constam em um documento da CPI da Covid do Senado que requereu da SES-AM “cópia de todos os documentos e comunicações, encaminhados ou recebidos, que comprovem ações do órgão no sentido de prover o Sistema Único de Saúde (SUS) com ventiladores artificiais para o atendimento a pacientes com COVID-19”.

No material disponibilizado pela CPI também consta quais ofícios tiveram as demandas em parte atendidas ou nem sequer respondidas pelo Governo Federal. Entre 7 e 16 de abril de 2020, quando começou o auge da primeira onda da Covid-19 no Amazonas, a SES-AM enviou quatro ofícios ao Ministério da Saúde solicitando 650 instrumentos hospitalares, com prioridade. 

Destes quatro ofícios, apenas dois especificam a quantidade de aparelhos. No pedido do dia 4 de abril do ano passado, por exemplo, o Governo do Amazonas solicitou 500 respiradores. O Ministério da Saúde encaminhou, a conta-gotas, 30 ventiladores – apenas 6% do quantitativo solicitado – e que serviam para necessidades diferentes.

Primeiro, o Estado recebeu um lote com dez ventiladores no dia 10 de abril e, no dia seguinte, um lote com mais dez aparelhos no dia 11 e, por último, mais dez ventiladores no dia 21. 

Dois dos lotes, com dez equipamentos cada, eram de “ventiladores de transporte e emergência”. Esse tipo de aparelho eletrônico e portátil é utilizado para dar suporte pulmonar, por exemplo, durante a transferência de um paciente, que já está em ventilação mecânica, para um outro hospital por ambulância ou UTI móvel.

E no ofício do dia 13 de abril de 2020, a SES-AM pediu 150 ventiladores para pacientes com Covid-19. Desta vez, o MS, que ainda era comandado pelo general Eduardo Pazuello, enviou 125 ventiladores, atendendo 83% da demanda. 

Esquecimento?

E dos quatro ofícios enviados pelo Governo do Amazonas ao Ministério da Saúde, em abril do ano passado, somente um não teve resposta. Justamente, o que solicitava respiradores sem especificar a quantidade dos equipamentos, com data de 07/04/2020. 

Apenas no dia seguinte [08/04/2020], a SES-AM enviou outro ofício informando o número desejado de 500 respiradores, pedido que o Governo Federal atendeu aquém do esperado pelo Estado.

Demora e recusas

Outro ponto verificado no documento da CPI da Covid é o tempo de resposta do Ministério da Saúde que prejudica qualquer planejamento para abrir novos leitos de UTI. Em abril, nos dois ofícios da SES-AM para o pedido de 150 ventiladores, o Governo Federal demorou mais de um mês para enviar 30 unidades, entre os dias 21 e 25 de maio de 2020. Neste período, o pior da primeira onda da Covid-19 em Manaus já tinha passado, após recordes diários de novos casos, internações e óbitos.

A amorosidade do Ministério da Saúde em atender as demandas do Governo do Estado, entretanto, não é o único problema. Entre outubro e dezembro do ano passado, a pasta declinou outras quatro solicitações da SES-AM. Uma delas um ofício do dia 20 de outubro pedindo para o MS ceder 30 “kits leitos Covid” para o Estado. Cada kit reunia ventilador pulmonar, monitores, bomba de infusão, camas com colchão, escada, suporte de soro, carro de emergência e cardioversor. 

Neste mesmo pedido, a secretaria de Saúde dava como alternativa ao kit leitos Covid, o envio de ventiladores pulmonares mecânicos e monitores multiparamétricos. Nenhuma opção foi atendida por Pazuello.

Sem escolha, no dia 21 de outubro, a SES-AM insistiu na ajuda federal ao pedir 60 respiradores, provavelmente, pulmonares. Quatro dias depois, o Governo do Amazonas recebeu do Ministério da Saúde a metade da quantidade solicitada: 30 respiradores, que o Estado ainda agradeceu em um novo ofício.

Mais negativas 

Em dezembro de 2020, o Governo do Amazonas se preparava para lançar a segunda fase do Plano de Contingência para o enfrentamento da Covid-19, quando pediu 40 respiradores pulmonares, no dia 18/12. Novamente não teve resposta do Ministério da Saúde. O ofício justificava a solicitação afirmando ser necessário os equipamentos para a “ampliação da rede estadual de saúde”.

Uma semana após esta recusa, a SES-AM enviou um novo ofício ao Governo Federal. No dia de Natal, 25 de dezembro, o Estado solicitou o aporte de mais 50 monitores multiparamétricos para ampliar leitos de UTI devido o “recrudescimento dos casos de contaminação pelo Novo Coronavírus (COVID-19)”. 

O estranho é que o próprio ofício do Estado é confuso. No ASSUNTO, o documento informa um pedido de 50 respiradores (sem especificar se é pulmonar), mas no texto abaixo endereçado ao ainda ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, é solicitado, na verdade, os tais 50 monitores multiparamétricos. 

Para embolar mais, neste mesmo ofício aparece novamente a palavra “respiradores”. O termo é utilizado em uma tabela que detalha a quantidade de aparelhos que seriam distribuídos para quatro unidades de saúde de Manaus [Hospitais e Pronto-Socorros Delphina Aziz, Dr. Platão Araújo, 28 de Agosto e Dr. João Lúcio Machado].

Mais lentidão

Com um tempo de resposta incompatível à situação de emergência e calamidade pública causada pela pandemia no país, o Ministério da Saúde demorou quase um mês para dar uma resposta à SES-AM em relação à solicitação de 50 respiradores ou monitores multiparamétricos [?]. Durante essa espera, a segunda onda explodiu em Manaus e levou a um desabastecimento de oxigênio medicinal nos hospitais públicos, como mais recordes de infectados, óbitos e internações por Covid-19. 

E o pior é que a resposta do MS à demanda dos respiradores não foi o envio atrasado dos equipamentos solicitados pela SES-AM. Mas, sim, um parecer técnico, assinado eletronicamente no dia 19 de janeiro de 2021 pelos coordenadores do Departamento de Atenção Hospitalar Domiciliar e de Urgência e da Coordenação-Geral de Atenção Hospitalar e Domiciliar. 

No parecer, a SES-AM é relembrada pelo Governo Federal que o Ministério da Saúde, em 2020, habilitou no Estado 259 leitos de UTI Covid-19 e 34 leitos de Suporte Ventilatório; repassou mais de R$ 36 milhões (R$ 36.632.294,40) para o combate à pandemia; e destinou 392 respiradores [90 entregues em dezembro/2020] e ainda 80 monitores multiparâmetros. Tudo para estruturação das unidades hospitalares, conforme o MS.

Antes deste lembrete do MS, o Estado ainda pediu, no dia 26 de dezembro, mais 80 monitores multiparâmetros e mais 50 respiradores para abrir novos leitos de UTI. Recebeu mais uma vez outros equipamentos: 50 ventiladores. A necessidade dos monitores foi prontamente ignorada pelo Governo Federal.  

Ainda em dezembro, no dia 29, a SES-AM apelou outra vez ao Ministério da Saúde. Para viabilizar a contingência da infecção por coronavírus no Estado, o órgão relacionou, em ofício, vários equipamentos e insumos necessários. Até um “carro de emergência”, uma “escadinha de degraus” e um “leito tipo UTI” foram solicitados. O MS não deu uma resposta sequer. 

Segunda onda

E apesar do parecer técnico do Ministério da Saúde, no dia 19 de janeiro de 2021, sobre as ações e verbas direcionadas ao Amazonas em quase um ano de pandemia, todo esse aparente esforço do Governo Federal para mitigar os impactos da pandemia no Estado provou ser insuficiente. Logo no início deste ano, um novo colapso da Saúde do Amazonas é registrado.

A segunda onda da Covid-19, impulsionada por uma variante mais transmissível [P.1], causa superlotação em hospitais públicos e particulares. Insumos básicos, como oxigênio medicinal, se esgotam levando à morte por asfixia vários pacientes internados com Covid-19. 

Diante deste quadro desesperador, a SES-AM solicita do Governo Federal mais 110 monitores multiparamétricos e 110 respiradores, no dia 24 de janeiro, e também kits de equipamentos de UTI para 24 leitos adultos e 25 leitos neonatal, no dia 1º de fevereiro. Ambos os pedidos são ignorados pelo Ministério da Saúde.

Diferenças dos termos

Em termos médicos, existem diferenças básicas entre respiradores e ventiladores. Mas ambos são equipamentos de suma importância tanto para pacientes quanto para profissionais de saúde enfrentarem um vírus altamente contagioso como o da Covid-19. 

Basicamente, o ventilador pulmonar é uma “máquina que ajuda o paciente a respirar quando não consegue fazê-lo sozinho por estar com algum nível de insuficiência respiratória ou algum outro problema que o impeça de respirar”, conforme o site da GE Reports Brasil, além de ser essencial para a manutenção da vida de um infectado em estado grave pelo vírus da SARS-CoV-2. 

De acordo com o site da CMOS DRAKE, uma empresa brasileira de referência no mercado de produtos médicos e hospitalares, “consideramos respiradores qualquer instrumento que facilite ou auxilie no processo de respiração. Ou seja, o termo pode designar tanto um aparelho mecânico (manual ou automático), quanto uma máscara que filtre o ar, um nebulizador, ou outro instrumento que auxilie na troca de gases do ser humano com o ambiente”.

Profissionais de saúde como médicos e enfermeiros, geralmente, usam “máscaras” [respiradores] de alta proteção em um ambiente hospitalar infestado pela Covid-19, como por exemplo as de modelos N95, PFF2 ou KN95. Esses itens também fazem parte dos equipamentos de proteção individual (EPIs) das equipes médicas.

Já o termo ventilador pulmonar, ainda conforme a CMOS DRAKE, “se refere mais especificamente ao equipamento mecânico que pode ser capaz de substituir o esforço respiratório do paciente realizando por ele a troca de gases quando o organismo está incapaz de concluir o processo com eficácia”.

Texto: Diogo Rocha

Leia Mais:

Leia mais sobre Política

Wilson Lima quer ‘transformar Amazonas’ com 13 projetos do Educa+

Abrangendo 13 projetos, o Educa+ busca transformar a educação em todos os 62 municípios com o intuito de formar estudantes com pensamentos mais críticos.

23 de julho de 2021

E-mails da Saúde atestam que Manaus serviu como ‘cobaia’ na pandemia

Documentos encaminhados a CPI da Covid mostram que Ministério mandou 11 médicos para Manaus no auge da segunda onda com a missão de disseminar uso do tratamento precoce.

23 de julho de 2021

Joice Hasselman é agredida e recebe solidariedade da bancada feminina

Deputada federal por São Paulo revelou que sofreu um possível 'atentado' enquanto assistia séries de televisão na sala do apartamento funcional onde mora em Brasília.

23 de julho de 2021

Criação de leis relacionadas à pandemia não foi prioridade na Aleam

Mesmo com 12% dos projetos de lei apresentados pelos deputados estaduais tratando de temas relacionados à pandemia, apenas seis deles foram transformados em Lei.

22 de julho de 2021

Flávio Bolsonaro é vacinado no Rio e agradece ao pai ‘negacionista’

Após publicar, em janeiro, post em rede social dizendo que não se vacinaria, filho do presidente foi, nesta quinta-feira, a um posto de saúde e recebeu a dose da AstraZeneca.

22 de julho de 2021

Parceria entre Governo e Infraero vai modernizar aeródromos do AM

Há 13 aeródromos em oito calhas do Amazonas. Haverá a execução de projetos, captação de recursos e fiscalização de obras aeroportuárias no Estado.

22 de julho de 2021

Tenente do Exército fala em ‘meter fogo’ em índios isolados no AM

"Vocês têm de cuidar dos índios isolados, porque senão eu vou, junto com os marubos, meter fogo nos isolados”, disse Henry, durante reunião na aldeia Paulinho.

22 de julho de 2021

Guedes: Onyx e Nogueira melhoram laços de Bolsonaro com Senado

O anúncio dos nomes de Lorenzoni e Nogueira para comandar as duas pastas foi feito nesta quinta-feira pelo presidente Jair Bolsonaro.

22 de julho de 2021