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sábado, 29 de janeiro de 2022

Fuga de depoentes e volume de informações podem atrasar fim da CPI

Relator da CPI quer acabar os trabalhos no próximo dia 22, mas a cada dia novos personagens vão surgindo no intrincado esquema de corrupção descoberto no Ministério da Saúde.

6 de setembro de 2021

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Omar, Renan e Randolfe têm expectativas diferentes para o fim dos trabalhos da Comissão, cujo relatório deverá estar pronto no próximo dia 22 (Foto: Reprodução)

O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid-19, senador Renan Calheiros (MDB/AL) quer encerrar os trabalhos no próximo dia 22 de setembro, mas o volume de denúncias e informações em posse dos investigadores é tão grande e há tanta gente na fila para depor que talvez o prazo não seja cumprido. O alerta foi feito pelo vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede/AP), citando o número de depoentes que estão fugindo da comissão.

Para se ter ideia do problema enfrentado pelos investigadores, o presidente da CPI , senador Omar Aziz (PSD), ingressou na Justiça Federal, nesta segunda-feira (6), com um pedido de intimação do lobista Marconny Albernaz de Faria para depor à comissão. No pedido apresentado pela Advocacia do Senado, a data prevista para o depoimento é 15 de setembro. Caso o convocado não compareça, Aziz pede “a imediata condução coercitiva com o uso da força policial necessária”.

Marconny Albernaz de Faria intermediou a vendas de insumos a órgãos públicos e tornou-se alvo de investigações do Ministério Público Federal (MPF) no Pará. Há suspeitas de que ele tentou interferir no processo de chamamento público para contratação direta de 12 milhões de testes de covid-19 para beneficiar a Precisa Medicamentos junto ao Ministério da Saúde.

Na reta final dos trabalhos, há uma lista de outras dez pessoas que podem ser chamadas a depor. O senador Omar Aziz ainda não definiu a agenda de depoimentos para a próxima semana. Mas deixou claro que, até o encerramento da investigação, quer ouvir — além de Marconny Faria — o advogado Marcos Tolentino. Convocado a depor nesta semana, Tolentino apresentou um atestado médico do Hospital Sírio Libanês para justificar a ausência.

O advogado é amigo do deputado Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo na Câmara, investigado pela CPI. Tolentino é apontado como sócio oculto da empresa FIB Bank, que ofereceu uma garantia considerada irregular para vender doses da vacina Covaxin ao Ministério da Saúde. “É um fraudador. E não vai fraudar uma doença? É aquele cidadão que é dono de um banco que não é banco, que tem um capital de R$ 7,5 bilhões num terreno em São Paulo que não existe. É esse cidadão que se interna às vésperas de ser ouvido! Ele virá para cá, nem que seja de maca, mas vai vir aqui”, prometeu Aziz.

Senadores cobraram ainda o depoimento de acionistas e colaboradores da VTC Log, que tem contratos de mais de R$ 70 milhões com o Ministério da Saúde. A CPI investiga, por exemplo, se despesas pessoais do ex-diretor de Logística do ministério Ricardo Ferreira Dias foram pagas pela empresa.

Podem ser chamados a depor os acionistas Carlos Alberto de Sá, Teresa Cristina Reis de Sá e Raimundo Nonato Brasil. Além deles, há requerimento de convocação aprovado para o advogado Flávio Loureiro de Souza. Ele teria atuado para viabilizar um aditivo contratual entre a empresa e o Ministério da Saúde. Também podem ser chamadas a depor Andreia Lima, diretora-executiva, e Zenaide Sá Reis, funcionária do setor financeiro da VTC Log..

‘Alegre churrasco’

Randolfe Rodrigues (Rede-AP) defende a convocação da advogada Karina Kufa. Ela teria organizado um jantar com a presença do lobista Marconny Faria e do empresário Ricardo Santana. Segundo Randolfe, Santana seria “uma espécie de consultor informal do Ministério da Saúde”, que revela “um esquema de corrupção” na pasta.

O parlamentar defende sugere ainda o depoimento do empresário Danilo Berndt Trento. Ele teria viajado à Índia com o dono da Precisa Medicamentos, Francisco Emerson Maximiano, para negociar a compra de doses da vacina Covaxin.

A base de apoio ao Palácio do Planalto defende a presença na CPI do ministro-chefe da Controladoria-Geral da União (CGU), Wagner Rosário. Ele pode comparecer na condição de convidado.

Texto: Gerson Severo Dantas, com informações da Agência Senado

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