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sexta, 23 de julho de 2021

Especialistas em Saúde são contrários, mas Alemão quer comércio 100% aberto

Empresário e parlamentar, William Alemão afirma que maioria das pessoas dos grupos de risco para a Covid-19 está imunizada e que cenário é ideal para flexibilizar medidas.

25 de junho de 2021

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Amazonas segue na fase laranja [moderada] de risco de transmissão pela Covid-19 e com medidas restritivas ao comércio mantidas (Foto: Divulgação)

O vereador William Alemão (Cidadania) voltou a defender a reabertura total do comércio em Manaus. Empresário e dono de uma casa noturna, o parlamentar argumenta que com o avanço da campanha de vacinação contra a Covid-19 na capital, as pessoas dos grupos de risco estão em uma porcentagem segura em número de imunizados e que esse cenário é propício para acabar com todas as medidas restritivas econômicas impostas por decretos estaduais. 

No último sábado (19), Manaus passou da marca de um milhão de doses aplicadas de vacinas contra a Covid-19 desde o início da campanha de imunização. Mas nem a metade já recebeu a segunda dose que garante o esquema vacinal completo. Até às 14h desta quinta-feira (24), 311.502 pessoas completaram o processo de imunização com as duas doses.

E por ter mais de 2,02 milhões de pessoas, a capital também não atingiu ainda os 80% de cobertura vacinal ideal para enfrentar a pandemia.

Alemão vai apelar para o governador

Presidente da Comissão de Turismo, Indústria, Comércio, Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda da CMM, Alemão prometeu fazer um apelo ao governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), para saber quais serão as próximas restrições do Estado na pandemia. O vereador chegou a fazer um cálculo para embasar seu pedido para reabertura de todo o setor comercial de Manaus e afirmar que a ameaça de uma terceira onda da Covid-19 passou.

“Nós temos hoje 67% da população acima de 65 anos que já tomou a segunda dose da vacina, com isso estão imunizados. Daqui até o fim do mês, vamos estar com 86%  da faixa etária mais atingida pelos óbitos e que tinha acima de 34 anos. Se aplicar esses 86% em cima da letalidade do coronavírus hoje, ele cai de 3,3% para 0,4%. Para nós entendermos melhor, o H1N1 varia entre 0,1% e 0,8% de letalidade, de acordo com a idade de quem pegar o referido vírus. Com isso, o coronavírus fica menos letal que o H1N1. Então, eu espero que o nosso governador e seus técnicos façam essa conta e liberem de vez todo o comércio, pois ainda temos restrições, situações de várias áreas que não estão funcionando”, disse William Alemão, sem revelar as fontes das informações que resultou em tal cálculo apresentado.

O que é essencial para o vereador

Ainda conforme o vereador, os serviços que considera essenciais pela população de Manaus são: comércio varejista; bares e restaurantes; salões de beleza; cabeleireiros; barbearias e manicures; shoppings e praças de alimentação; escritórios e empresas nos segmentos de advocacia, contábil, imobiliário; corretagem de seguro e empresas de tecnologia, além de serviços relativos a atividades desportivas em qualquer modalidade.

As súplicas de William Alemão para o fim das restrições econômicas em Manaus, praticamente, ocorrem desde o início do mandato dele na Câmara Municipal. Em fevereiro, o parlamentar foi autor de um Projeto de Lei – PL nº 016/2021 – solicitando que as mesmas atividades citadas acima fossem reconhecidas como essenciais em “situações de calamidade pública, de emergência, de epidemia ou de pandemia” devido a alta no desemprego e a perda de renda da população manauara. 

Na época desta propositura do vereador à Casa Legislativa, a capital do Estado ainda sofria com os efeitos devastadores da segunda onda da Covid-19 impulsionada pela variante P.1 e pela flexibilização do comércio e dos serviços permitida pelo Governo do Amazonas, em dezembro, após pressão nas ruas de comerciantes, empresários e até de políticos, como o ex-prefeito de Manaus, Arthur Neto (PSDB), e o senador Eduardo Braga (MDB). Com o parecer desfavorável da 2ª Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) da CMM, os vereadores arquivaram o PL de William Alemão.

Curiosamente, no dia 14 deste mês, a Câmara Municipal de Manaus aprovou o Projeto de Lei – PL nº 317/2020 – do vereador Rosinaldo Bual (PMN) que “estabelece as atividades prestadas nos salões de beleza como atividade essencial em períodos de calamidade pública no município de Manaus”. E só dependia agora da sanção do prefeito David Almeida (Avante). Lembrando que as atividades de salões de beleza como essenciais estavam no rol do PL, do vereador William Alemão, rejeitado pela Casa.

Restrições são importantes

O portal RealTime1 entrou em contato com a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM) e Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) para saber se no próximo decreto do governo será autorizado uma maior flexibilização das medidas de restrição econômica e social em Manaus. Até o momento não tivemos resposta dos órgãos, mas analisando os dados do site da FVS-AM, o Estado segue na ‘fase laranja’, que é classificada como moderada, em relação ao risco de transmissão da Covid-19.

Nesta fase laranja, conforme o Governo do Amazonas, supermercadistas podem funcionar de 6h às 20h, com capacidade de 50% dos estabelecimentos; distribuidoras de água mineral e gás de cozinha ficam abertas entre 6h e 18h; funcionamento nas modalidades delivery e drive-thru são permitidas entre 8h às 17h; lojas em geral funcionam de 9h às 17h, de segunda-feira à sábado; restaurantes e lanchonetes funcionam por delivery 24h e por drive-thru entre 6h e 23h, além de poderem abrir para o público, incluindo os bares, também de 6h às 23h, de segunda-feira à sábado com até 50% da capacidade de ocupação. Outras centenas de serviços, atividades, comércio e estabelecimentos estão inseridos no decreto estadual de medidas restritivas.

Para especialistas da Fundação Oswaldo Cruz do Amazonas, como Jessem Orellana, ainda não é o momento do amazonense baixar a guarda em que pese o avanço da vacinação em Manaus. Eles estimam que o surgimento de uma nova cepa do novo coronavírus pode colocar todo esse trabalho a perder e, por isso, será melhor manter as medidas de distanciamento social, uso de máscaras e higienização com álcool em gel.

Texto: Diogo Rocha

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