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terça, 07 de dezembro de 2021

Coari: clima de ‘velho oeste’ domina campanha dos principais candidatos

Agressões, ameaças, brigas de rua, disseminação de "fake news" nas redes sociais são golpes abaixo da linha da cintura desferidos sem vergonha pelos principais candidatos.

22 de novembro de 2021

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Keiton Pinheiro (de boné), que representa a família dos ex-prefeitos Adail e Adail Filho, e Robson Tiradentes Júnior estão no centro da disputa pela prefeitura de Coari (Foto: Divulgação)

A eleição suplementar para a escolha do novo prefeito do município de Coari, na região do Médio Solimões, será realizada no próximo dia 5 de dezembro em meio a um clima de guerra nunca visto no Amazonas.

Ameaças de morte, agressões verbais – e pelas redes sociais -, denúncias de compra de votos e briga entre eleitores são situações comuns na campanha pelo comando do município que tem o segundo maior orçamento do Estado, previsto para fechar neste ano com mais de R$ 300 milhões.

Os candidatos favoritos a vitória, o ex-vereador Keitton Pinheiro (Progressistas) e Robson Tiradentes Júnior (PSC), atiçam seus eleitores com ameaças, onda de denúncias e distribuição de mentiras nas redes sociais. Disputam também a eleição suplementar aos candidatos Mil Mitouso (PSB) e Zé Henrique (PL).

No último sábado (20), por exemplo, Keitton conseguiu que a Justiça Eleitoral suspendesse a distribuição dos cartões do programa Auxílio Estadual Permanente, o que revoltou os beneficiários, levando um grupo deles até a casa do ex-prefeito Adail Pinheiro Filho (Progressistas) para tentar agredi-lo.

A Polícia Militar evitou maiores problemas. No entanto, Keitton usou as redes sociais para atribuir a Robson a responsabilidade por ter insuflado os revoltosos.

Também no sábado, só que a noite, Keitton e Robson realizaram comícios que, após os términos, teve registro de brigas entre grupos de apoiadores.

“O clima é de muita tensão. Qualquer fala mal interpretada já começa uma briga entre os apoiadores”, afirma o professor João de Jesus Rocha, que diz tomar cuidados redobrados na hora de dar aulas para não ser mal interpretado pelos grupos rivais.

A Igreja Católica também tem que redobrar a atenção em períodos de eleição para não ferir adeptos de um ou outro candidato. Ao RealTime1, que havia solicitado uma entrevista com o bispo da prelazia do Médio Solimões, dom Marcos Piateck, um assessor informou que nenhum representante da igreja poderia se manifestar sobre os fatos ocorridos na campanha.

Segundo a assessoria, foi firmado um acordo para que nenhum padre ou o bispo façam comentários que tragam o risco de causar mal entendidos entre as partes que pleiteiam o cargo de prefeito.

Velho Oeste

Nas redes sociais, o clima de “velho oeste” dos filmes de Hollywood indica que golpes abaixo da linha da cintura são válidos e aceitáveis.

Numa postagem, Robson Tiradentes compartilhou a ameaça feita pelo tio, o jornalista Ronaldo Tiradentes, de dar 20 tiros na cara de Adail Filho. Este, por sua vez, publicou nas redes que ainda esperava pelos tiros, mas também dizia saber que não seriam disparados, acusando o jornalista de “frouxo, covarde e corno”. Ambas as postagens foram amplamente compartilhadas por seguidores dos dois candidatos.

No domingo, a rede social de Keitton e dos seus apoiadores foi tomada por um vídeo no qual Robson entrega um fogão para uma moradora do bairro do Pêra, onde alegavam que foi a prefeitura que doou o equipamento. Após essa cena, entra um cidadão dizendo que é o dono da casa e que na verdade o fogão foi doado pelo próprio Robson e depois das filmagens retirado pelos seguranças dele.

O homem, conforme apurado pelo RealTime1, saiu da cidade logo após a divulgação do vídeo.

Já Robson apresentou a moradora, disse que era amigo dela e foi ela quem o chamou para gravar a doação do fogão por homens da prefeitura. Nesse clima sobrou acusações de compra de votos para os dois lados.

De quem é a bronca?

A campanha de Keitton e seus principais aliados, os ex-prefeitos Adail Pinheiro e Adail Pinheiro Filho e a deputada estadual Mayara Pinheiro (PP), promoveram um comício no bairro do Pêra sábado à noite.

No evento, eles enalteceram os feitos administrativos da família Pinheiro que está no poder, com duas exceções apenas, desde 2004, mas abusaram das provocações aos adversários.

“A bronca, sim, é comigo!”, dizia a todo momento Adail ‘Pai’, numa referência ao bordão usado por Wilson Lima quando era apresentador de programas policiais.

O governador, inclusive, passou o final de semana na cidade cumprindo agenda ao lado de Robson.

No domingo, o governador e Robson promoverem uma passeata pelas ruas do mesmo bairro, oportunidade na qual aliados arrancavam do local quaisquer referências ao comício dos adversários realizado na noite anterior.

Em algumas casas houve confusão, principalmente agressões verbais, quando a passeata cruzava com moradores que apoiam Keitton.

Texto: Gerson Severo Dantas, enviado especial do RealTime1 a Coari

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