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sábado, 28 de maio de 2022

Análise indica crise nacional no PSDB como resultado da falta de base social

Forte identidade com o Estado de Sáo Paulo e ausência de um projeto nacional que mobilize os eleitores se arrastaram por décadas até explodir na atual crise do PSDB.

8 de abril de 2022

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Para analista, faltou ao PSDB criar uma base social que criasse empatia com o eleitorado popular (Foto: Divulgação/PSDB)

Com um histórico como protagonista na política nacional, o Partido da Social Democraria Brasileira (PSDB), PSDB tem encontrado dificuldades para indicar um nome ao Governo do Amazonas e outro para a Presidência da República em 2022. Especialistas entrevistados pelo RealTime1 analisaram o cenário e concordam que faltou à legenda construir um projeto nacional que cativasse o eleitorado.

Na história do PSDB, o partido já governou o Brasil por dois mandatos nos anos 1990, tirando o país da hiperinflação com uma revolução econômica, o Plano Real. Também forçou uma recontagem de votos na disputa presidencial de 2014. Mas, crises internas têm afetado a legenda ao longo dos anos.

Segundo o advogado e articulista políticos Carlos Santiago e o cientista político Breno Rodrigo de Messias, o PSDB enfrenta essas crises desde o fim do governo FHC. “Até aquele momento, por se tratar da manutenção do partido no poder, as divergências tinham pouca visibilidade”, diz Carlos Santiago.

“O PSDB já nasce de uma cisão do antigo MDB (que fazia oposição ao Arena, ainda no período da Ditadura Militar). Já na origem, ele surge em meio a divergências”, lembra Santiago. “O partido também ficou muito conhecido por ser um partido de grupos comandando os Estados, principalmente São Paulo, Rio de Janeiro de Minas Gerais”, completa o articulista.

“A crise do PSDB tem, pelo menos, mais de 20 anos. Ela começa com o Fernando Henrique Cardoso não explicitando seu apoio ao José Serra ao governo de São Paulo e que, por sua vez, também não quis o apoio do FHC “, explica Breno Messias.

O cientista político destaca que, apesar de ser um partido com quadros intelectuais fortes como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Celso Lafer e Bolívar Lamounier, a legenda não seguiu a cartilha dos partidos da Social Democracia e não emplacou uma base social, como movimentos de minorias ou sindicatos.

Breno Messias ressalta, ainda, que João Doria, ex-governador de São Paulo foi outro fator de mudança de trajetória do partido. “A entrada do Doria não fez bem para o partido. Ele sempre teve trânsito na elite paulista, mas dentro dos quadros internos, ele não é bem-visto. Doria é pragmático, ele não tem uma fidelidade aos valores do PSDB. Ele já guinou para o lado de Jair Bolsonaro (PL) e agora já admite conversar com Lula (PT)”, comenta o cientista político.

Federação

Na disputa para as eleições 2022, o PSDB articula uma possível federação partidária entre União Brasil, PSDB, Cidadania e MDB. A união deve fragilizar as possibilidades de Doria ser o candidato da “terceira via”, como querem os partidos.

O anúncio do nome que concorrerá pela federação sairá no dia 18 de abril. Mas pesa contra Doria o confronto com ala do partido que pende para Eduardo Leite (PSDB-RS) e seu desempenho nas pesquisas eleitorais, em média, na casa dos 2%.

“Eduardo Leite é da militância do PSDB, foi do juventude tucana e é alguém com bom trânsito dentro do partido. Se o movimento pensa em investir fortemente nas bancadas, Eduardo Leite também é uma boa opção para o Senado, por exemplo”, comenta Breno Messias.

“O PSDB, ao se movimentar para uma federação com outros partidos, deixa de ser o protagonista para ser mais um partido na corrida presidencial”, avalia Carlos Santiago.

Texto: Emerson Medina

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