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sábado, 17 de abril de 2021

Vacinas: Trapalhadas e promessas falsas em um ano de pandemia no Amazonas

O processo de compra de vacinas para imunizar o brasileiro foi uma sucessão de trapalhadas no Governo Federal e atrasou a vacinação.

4 de março de 2021

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Compra de vacinas teve trapalhadas do Governo Federal (Foto: Divulgação)

No dia 16 de março do ano passado o Amazonas registrou o primeiro caso de  Covid-19 e oito dias depois, em 24 de março, a primeira morte. O paciente era uma mulher que tinha passado férias na Inglaterra. Já o óbito foi de um pescador esportivo parintinense que havia participado de pescaria com um grupo de estrangeiros no rio Nhamundá e depois ido com este mesmo grupo para São Paulo.

De lá para cá, quando estamos com mais de 11 mil mortos, o sonho de consumo de todo amazonense é a vacinação, mas trapalhadas do Governo Federal e paralisia dos  governos estadual e municipais tem possibilitado a realização deste sonho apenas a contas-gotas.

A trapalhada do Ministério da  Saúde  começou em 15 de agosto  do ano passado. A farmacêutica norte-americana Pfizer desenvolvia uma vacina em parceria com o laboratório alemão BioNTech e ofereceu, por três vezes, um pacote de 70 milhões de doses  para entrega a partir de dezembro. O Ministério da Saúde recusou todas as ofertas, pois a ênfase da  política  pública concentrava-se no tal tratamento precoce: Cloroquinha, ivermectina e azitromicina.

A Pfizer/Biontech tem capacidade de produzir neste ano 1,3 bilhão de doses em cinco fábricas nos Estados Unidos e Europa. Nesta quarta-feira (3), o ministro da  Saúde, Eduardo Pazuello, anunciou que dispensou licitação para  comprar doses do imunizante, mas o problema é a fila de entrega. De acordo  com um relatório do economista do Insper Thomas Conti (cujo resumo está no twitter dele @thomasVConti) há 115 países na fila para comprar a vacina da Pfizer.

Trapalhadas de Pazuello

As trapalhadas de Pazuello também se deram no plano interno por ação direta do presidente Jair Bolsonaro. O ministro anunciou em outubro que iria comprar 45 milhões de doses da CoronaVac, vacina desenvolvida em parceria pelo Instituto Butantan, do governo de São Paulo, e a farmacêutica chinesa Sinovac. Pazuello foi desautorizado por Bolsonaro e soltou a celebre frase que marcará sua gestão no ministério: “É simples assim: um manda e o outro obedece”.

A única aposta do Governo Federal foi a vacina que estava sendo produzida pelo laboratório inglês AstraZeneca em parceria com a universidade de Oxford. Um protocolo de parceria foi assinado e a Fundação Oswaldo Cruz entrou na jogada no segundo semestre. Quando tiver plenamente operacional, o  que ainda deve demorar, a parceria vai fornecer 150 milhões de doses da vacina.

Nos dois casos de vacina com produção nacional, o Governo Federal atrapalhou o quanto pôde. Com quase 12 milhões de doses de CoronaVac importadas da China e estocadas no Brasil desde 19 de novembro, a Agência Nacional de Vigilância em Saúde (ANS) só deu aval para o uso em meados de janeiro, quando 40 países já estavam em processo de vacinação e a opinião pública pressionava o governo para fazer algo no Brasil. “Já podíamos estar vacinando desde dezembro, mas a Anvisa colocou uma série de obstáculos burocráticos”, denunciou o presidente do Butantan, Dimas Covas.

Trapalhadas nas Relações Exteriores

Com a CoronaVac e a Astrazeneca/Oxford aprovadas para uso emergencial no País, entrou no circuito as trapalhadas do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. As hostilidades contra a China fizeram com que lotes do IFA, princípio ativo da CoronaVac, que deveriam chegar no início de janeiro, só chegassem em fevereiro, atrasando a produção em um mês.

O problema diplomático também se deu com a Índia, país que produz o IFA da Astrazeneca/Oxford. O governo indiano havia solicitado em um dos fóruns da ONU para quebrar as patentes de vacinas contra a Covid invocando o precedente do Brasil que havia quebrado patentes de remédios contra HIV/Aids no governo Fernando Henrique Cardoso.

A diplomacia brasileira votou contra essa iniciativa e assim irritou os indianos, que também atrasaram o envio dos IFAs para o  início da produção no laboratório BioManguinhos, da Fiocruz no Rio de Janeiro.

Fora essas duas vacinas, cuja entrega de quase 200 milhões de dose estão garantidas ao longo deste ano, outras três vacinas já estão aprovadas por agências internacionais equivalentes à Anvisa brasileira, mas despertaram pouca atenção do Governo Federal.

Segundo Thomas Conti, a fila para  a  compra da vacina do laboratório norte-americano Moderna tem hoje 68 países. A vacina da farmacêutica russa Gamaleya, a Sputnik V, tem  uma fila de 67 países. A vacina do laboratório Janssen, do grupo Johnsons&Johnsons, tem 55  países inscritos. Por fim, a vacina do laboratório Novavax, cuja eficácia é de mais de 90% e  foi aprovada nesta semana, tem uma fila de 19 países, mas com tendência de crescimento rápido por ser, a exemplo da Janssen, aplicada em uma única dose.

‘Vacina do Brasil’

Um dos argumentos do Ministério da Saúde para não comprar em outubro a CoronaVac era de que não tinha certeza sobre a segurança e a eficácia dela contra a doença. O presidente chegou a dizer que seria assinar um cheque em branco a compra da vacina, que depois ele teve que comprar e tentar batizar de “vacina do Brasil”.

Pois bem, em fim de fevereiro, com a pandemia crescendo e a pressão da opinião pública subindo, o Ministério da Saúde fez uma nova aposta ao investir R$ 1,6 bilhão na compra de doses da vacina Covaxin, desenvolvida na Índia e que ainda não foi testada em fase 3, quando é medida sua eficácia. Estudos desta fase levam em média três meses para serem concluídos.

Para o epidemiologista da Fiocruz Amazonas, Jesen Orellana, a gestão da pandemia pelo governo federal é uma trapalhada só. Ele afirma que qualquer iniciativa para comprar vacinas, hoje, vai demandar seis meses  para ser atendida. “Não tem como atender imediatamente, pois as fábricas estão sendo demandadas há tempos e o governo brasileiro não se manifestou. Vacinas em quantidades para imunizar nossa população só no segundo semestre”, afirmou.

Jesen Orellana também criticou o fato do governo ter feito uma única aposta quando o certo seria ter tentado comprar vacinas de mais de um fornecedor e assim garantir lotes  suficientes para imunizar a nossa população.

Trapalhadas no Governo Federal

Com as trapalhadas do Governo Federal, governadores e prefeitos passaram a buscar alternativas para comprar vacinas em todo o mundo, mas esbarravam no fato de o Ministério da Saúde ter a exclusividade para comprar as  vacinas. Para se ter ideia dessa medida, o governo de São Paulo, dono do Instituto Butantan, não podia comprar vacinas produzidas no instituto.

Para quebrar esse monopólio do Ministério da  Saúde, foi preciso uma ação no Supremo Tribunal Federal, que deu aval para este tipo de negociação agora em fevereiro. Governos de todo o Brasil então se organizaram para buscar vacinas alternativas. O consórcio Amazônia, formado por governadores da região, fez consultas a todas as farmacêuticas que tem vacinas aprovadas e a melhor resposta veio da Gamaleya: Só pode entregar doses em junho.

A Frente Nacional de Prefeitos (FNP), na última segunda-feira, também entrou nessa  briga e formalizou a criação de um consórcio para comprar vacinas com  segurança jurídica. Já são 606 prefeituras que aderiram ao consórcio – Manaus e Silves são os únicos do Amazonas – que negociará a compra de vacinas no mercado internacional.

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