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sábado, 08 de maio de 2021

Vacinação de indígenas é lenta e quatro municípios sequer iniciaram imunização

Em pelo menos 4 municípios do Amazonas nenhum indígena cadastrado no vacinômetro foi imunizado. Cerca de 40% dos indígenas estão sem vacina.

8 de março de 2021

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Somente 59.731 foram vacinados (Foto: Marcello Casal/Agência Brasil)

Mais de 40,9 mil indígenas aldeados no Amazonas ainda não se vacinaram contra a Covid-19. A meta de imunização desse grupo, estabelecida pelo Ministério da Saúde, é de 100.642 pessoas, mas somente 59.731 foram vacinados. Isso quer dizer que 59,3% da meta estabelecida foi atingida. As populações indígenas, principalmente as isoladas, são as mais vulneráveis a ação do novo coronavírus, segundo os especialistas em virologia.

De acordo com dados do vacinômetro da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), até esta sexta-feira (5) cerca de 40% da população indígena ainda não fora vacinada.

Questionada sobre o que tem feito para conseguir aumentar o número de vacinados nos municípios do Amazonas, a Fundação Estadual do Índio (FEI) disse que tem acompanhado e orientado as lideranças e organizações indígenas sobre a importância e necessidade da vacinação, mas reforçou que a responsabilidade é dos Distritos Sanitários Especial de Saúde Indígena, nos municípios.

“Importante consignar que o papel de coordenação e execução do cronograma de vacinação compete aos Distritos Sanitários Especial de Saúde Indígena (DSEIs). Assim, o papel da FEI nesse processo de vacinação se limita a orientação das lideranças e organizações indígena da importância da vacinação, visto que a execução é da competência dos DSEIs”, afirmou.

Nenhum indígena vacinado

Em pelo menos quatro municípios do Amazonas nenhum indígena cadastrado no vacinômetro foi imunizado. São eles: Novo Aripuanã (151 indígenas), Iranduba (37 indígenas), Fonte Boa (613 indígenas) e Boa Vista do Ramos (166 indígenas).

Já a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) encaminhou nota e se limitou a dizer que tem realizado uma série de estratégias de proteção e tratamento à Covid-19, com reforço de atendimento médico, entre outros. No entanto, não respondeu especificamente sobre os municípios do Amazonas que não atingiram a meta de imunização e alguns que ainda não vacinaram nenhum indígena.

O município que mais vacinou indígenas foi São Gabriel da Cachoeira, que possui 13.639 desse grupo cadastrado e conseguiu imunizar 7.960, ainda assim faltam 5.679 mil pessoas receberem a primeira dose.

Confira a nota na íntegra:

O Ministério da Saúde, por meio da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), conta com 14,2 mil profissionais de saúde em áreas indígenas, sendo quase 47% deles indígenas. Eles prestam serviços de atenção básica de saúde e são fundamentais para a prevenção e identificação precoce da Covid-19 – além da remoção de pacientes para os hospitais em caso de agravamento. Entre janeiro e dezembro de 2020, eles realizaram 12 milhões de atendimentos a indígenas.

Mesmo antes da Organização Mundial da Saúde (OMS) decretar a Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII), foi produzida uma série de documentos técnicos – disponíveis em saudeidigena.saude.gov.br – para que os povos indígenas, gestores e colaboradores pudessem adotar medidas que ajudassem a prevenir e tratar a infecção pelo Coronavírus.

A SESAI vem, ao longo de toda pandemia, desenvolvendo estratégias de proteção, prevenção, diagnóstico e tratamento da Covid-19. Ademais, também vem intensificando a rede logística e o suprimento de insumos e equipamentos de proteção individual (EPI), estabelecendo fluxos de atendimento nas aldeias, Polos Base, Unidades Básicas de Saúde Indígena (UBSI), dentre outros serviços, a fim de que seja organizado um fluxo específico para a Covid-19.

Em se tratando de atendimento à Covid-19, a SESAI elaborou uma nova estratégia, a implantação das Unidades de Atenção Primária Indígena (UAPI), com o objetivo de fortalecer os serviços de atenção primária à saúde indígena no atendimento da população indígena de abrangência dos DSEI para Covid-19, respeitando as especificidades culturais. Até o momento, 352 UAPI foram instaladas para identificar precocemente os pacientes de Síndrome Gripal ou de Covid-19 e iniciar os primeiros procedimentos no local.

Para garantir o trabalho em segurança, a SESAI enviou aos Distritos Sanitários Especiais Indígenas remessas de Equipamentos de Proteção Individual, totalizando, até o momento, mais de 6 milhões de itens. O material é complementar aos estoques mantidos pelos próprios DSEI, que têm autonomia para realizar compras de insumos.

A criação das Equipes de Resposta Rápida foi outro passo importante para o combate à pandemia. Composta por médico, enfermeiro e técnico de enfermagem, a equipe permanece de prontidão no município que sedia o Distrito Sanitário Especial Indígena, com meios de transporte prontos para levá-la às localidades com eventual quadro de surto da doença.A pasta reitera que está em constante diálogo com estados e municípios com presença de população indígena para a ampliação dos serviços de alta e média complexidade, reservando leitos específicos para os indígenas.

Em ações interministeriais de combate à Covid, a Saúde Indígena integrou 19 missões com o objetivo de reforçar o atendimento médico em terras indígenas em regiões de difícil acesso, por meio do atendimento de saúde especializado, testagens e distribuição de cestas básicas aos povos indígenas pelo Governo Federal, de forma a preservar a saúde e evitar deslocamentos dos indígenas até as cidades para adquirir alimentos.

Além disso, ações integradas com equipes da própria Saúde Indígena foram realizadas em Distritos diferentes. Incluídos nos grupos prioritários, os indígenas brasileiros já têm, disponíveis, todas as doses necessárias para imunizar mais de 410 mil indígenas registrados no Subsistema de Atenção em Saúde Indígena – SASI-SUS e as especificidades da ADF 709. Até o momento, 251 mil indígenas já receberam a primeira dose de vacina e outros 104 mil já receberam a segundo dose. As ações de vacinação continuam em todos os Distritos.

Reitera-se que todas as ações do Ministério da Saúde em relação à Saúde Indígena foram tomadas por iniciativa de seus gestores, no mais absoluto cumprimento da legislação vigente e são monitoradas pelo Comitê Nacional de Crise, instituído pela SESAI, com participação do Comitê de Crise Central (no âmbito da SESAI), e dos Comitês de Crise Distritais (no âmbito dos 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas), composto por 50% de usuários da saúde indígena, 25% de trabalhadores e 25% de gestores -, onde as ações são deliberadas com a participação do controle social da Saúde Indígena.

Texto: Milena Soares

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