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sábado, 08 de maio de 2021

Pesquisa aponta que usuários do ‘Kit Covid’ foram os mais infectados no AM

Dados mais aprofundados são esperados, já que os pesquisadores estão concluindo a terceira fase do estudo. Ela vai mostrar o impacto da segunda onda da Covid-19 em Manaus.

9 de abril de 2021

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O uso da ivermectina foi intensificado (Foto: Reprodução)

Uma pesquisa feita com moradores de Manaus revela como a Covid-19 foi mais frequente em pessoas que tomaram remédios na esperança de não contrair o coronavírus.

No grupo que usou alguma medicação com o intuito de prevenir a doença, a prevalência da Covid-19 foi de 38,6%, contra 25,9% no grupo que não tomou nenhum medicamento com esse objetivo.

Os dados são resultados da pesquisa DETECTCoV-19, assinada por pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), Universidad Peruana Cayetano Heredia e Instituto de Evaluación de Tecnologías en Salud e Investigación, do Peru (IETSI).

A iniciativa acompanha desde agosto do ano passado 3.046 pessoas na capital do Amazonas. A primeira fase da pesquisa, que ocorreu entre agosto e setembro, revelou que naquele momento a doença foi mais forte não só em quem tomou remédio para “se prevenir”, mas também em famílias pobres.

Estudo avaliará segunda onda

Dados mais aprofundados são esperados, já que os pesquisadores estão concluindo a terceira fase do estudo. Ela vai mostrar o impacto da segunda onda da covid-19 em Manaus, quando o Estado viveu dias de colapso em hospitais, falta de oxigênio e recorde de mortes.

“As pessoas que se medicam, de alguma forma, sentem-se seguras e baixam a guarda. Quando a gente falava isso sem dados, poderia até se questionar. Mas agora temos esses dados da população de Manaus. Não é uma coisa longe da realidade”, afirma Jaila Borges, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Ufam e uma das coordenadoras da pesquisa.

Mais remédios, mais casos

Os resultados revelaram a grande diferença entre quem tomou e quem não tomou remédio “preventivo” para covid-19. Na primeira fase da pesquisa, entre os que não tomaram nada, 25,9% tiveram IgG positivo , contra 38,6% dos que tomaram.

Essas proporções se repetiram nas duas amostragens já concluídas. O anticorpo IgG é um dos indicadores de contágio de covid, produzido na fase tardia da infecção e geralmente detectável a partir do 15º dia de sintomas. Os medicamentos mais tomados como forma profilática foram a ivermectina e o paracetamol —nenhuma das duas tem qualquer efeito comprovado para a prevenção da covid-19.

Para Jaila Borges, da UFAM, a cultura brasileira da automedicação é um dos maiores desafios, além da “ineficiente comunicação científica que temos e à ausência de educação midiática”.

Isso tem ficado ainda mais claro na terceira fase da pesquisa, em andamento. “Ouvimos de muitas pessoas que perderam muitos familiares questionando que a pessoa tomava ivermectina para prevenir covid-19, porque o médico orientou ou porque ouviram falar que funcionava”, explica.

Mais renda, menos casos

A pesquisa também apontou que as taxas de infectados diferiram quanto à renda. Na primeira fase, as pessoas com renda de até três salários mínimos apresentaram soroprevalência (teste positivo para covid-19) de 35,5%. Já entre os que ganhavam mais de seis, essa taxa foi menor: 24,4%.

A intensidade da pandemia no grupo familiar

Além disso, o estudo observou a intensidade da pandemia no período. A primeira fase mostrou uma prevalência geral de anticorpos (o IgG) em 29,1% da população, enquanto na segunda essa proporção aumentou para 34,3%.

“A presença de um caso de covid-19 ou morte [pela doença] em uma família aumentou muito o risco de outros membros, que moram na mesma casa, adquirirem a infecção”, diz o artigo. Além disso, a pesquisa mostrou que quanto mais pessoas em uma residência, maiores as chances de contaminação. Na sua primeira, a taxa de contaminação foi de 34,5% nas casas com quatro ou mais pessoas. Já nas casas com uma pessoa esse índice foi de 25,2%, e onde vivem duas pessoas, de 26,3%.

“Uma pessoa diagnosticada, claro, transmite para outros do seu domicílio, porque esse isolamento domiciliar não é feito corretamente. [Ou seja] não temos uma vigilância ativa de casos em que, uma vez que uma pessoa é diagnosticada, ela e os seus contactantes são acompanhados”, diz Borges.

Segundo a cientista, é preciso ter uma comunicação estratégica para que a informação correta chegue às pessoas e, assim, elas optem por um comportamento saudável.

“Não é um argumento correto culpar somente as pessoas pelo que está ocorrendo. Temos um histórico problema de educação em saúde. Hoje, o que notamos, é que as pessoas não sabem em quem acreditar”, completa.

Da Uol

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