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quinta, 22 de abril de 2021

Desperdício: mais de 75 mil ainda não foram se vacinar

Dados do vacinômetro mostram que um grande número de pessoas segue a cartilha negacionista, desconfia da eficácia do imunizante e teme "virar jacaré", como disse o presidente

11 de março de 2021

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Reabertura ampla do comércio deve ser condicionada ao avanço no processo de vacinação, sugere médica

O vacinômetro da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM)  mostra que após quase dois meses do início da vacinação contra a Covid-19 no Estado 75 mil pessoas, de todos os grupos  prioritários, ainda não foram tomar a primeira dose do imunizante. Para se ter ideia do tamanho do desperdício, o total de doses paradas nos postos é suficiente para vacinar 65% de todo o grupo etário de 60 a 69 anos em Manaus, que é de 115 mil.

Na avaliação da médica sanitarista Adele Benzaken, que trabalha em pesquisas na linha de frente ao combate à Covid-19, desde o início da pandemia, o não comparecimento dessas 75 mil pessoas sinaliza o negacionismo à vacina e sua eficácia, já devidamente comprovada pelos órgãos responsáveis. Ela inclusive lembra que dados recentemente divulgados pelo Instituto Butantan mostram que a Coronavac é eficaz contra três variantes do coronavírus.

“Nós vimos momentos em que o presidente da República (Jair Bolsonaro) colocou dúvidas quanto a qualidade das vacinas, principalmente a Coronavac (produzida no Butantan em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac). Então, muitos seguidores dele até hoje são temerosos em tomar a vacina da Sinovac. Isso precisa ser desmistificado, porque a única arma que temos para enfrentar a doença é a vacina”, afirmou.

Adele reforça, ainda, que a população precisa fazer a sua parte. “Se existe um quantitativo grande de pessoas que não querer se vacinar, o vírus vai continuar circulando e fazendo mutações”, ressaltou.

Comércio

Adele Benzaken defende que a reabertura do comércio esteja condicionada ao avanço no processo de vacinação na capital e que é preciso haver um “balanço” entre o combate à pandemia e a questão econômica.

“Tem que ter um meio termo. Não tem como fazer uma abertura ampla, quando não temos uma cobertura vacinal boa. Mas por outro lado, não dá para ficar com o comércio muito tempo fechado, porque as pessoas tem fome e o governo federal não está mais distribuindo a ajuda financeira como aconteceu no ano passado. É preciso bom senso e um misto de ações”, alertou, acrescentando como exemplo a ampliação de circulação de ônibus na cidade para evitar aglomeração.

Na última semana, o Governo do Amazonas ampliou ainda mais os horários de funcionamento do comércio. Basicamente, restaurantes em geral e a modalidade drive thru podem funcionar de 6h às 20h e delivery 24 horas. Além de permitir funcionamento de academias e salões de beleza e outros serviços considerados não essenciais.

Testagens

De acordo com a médica, o Brasil faz pouquíssima testagem para dar diagnostico de covid-19 e também pouco sequenciamento para saber qual cepa do vírus está circulando e isso “é um déficit e muito grande”. Por essa razão, as pesquisas são feitas baseadas na taxa de mortalidade, que em Manaus é de mais de 5%..

“Se você compara a primeira com a segunda onda, a [taxa] de mortalidade (em janeiro) foi praticamente o dobro da registrada em abril do ano passado, mais intensa e severa. [Mas] se você comparar o início de janeiro para agora, houve uma queda sim. Então a transmissibilidade pode estar reduzida, mas a abertura total [do comércio] e sem restrições, o número de casos pode aumentar porque ainda não chegamos a um nível de vacinação para que tenhamos segurança”, esclareceu.

Sobre Adele

Atualmente, Adele Benzaken é diretora médica do programa global na Aids Healthcare Foundation-AHF, onde orienta vários médicos ao redor do mundo.

Ela já foi diretora do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), do HIV e Hepatites Virais do Ministério da Saúde. Mas saiu do cargo em 2019, após o governo Bolsonaro não concordar com a “cartilha para homens trans”, orientando a prevenção do HIV. Adele também atua em atividades na Fundação de Medicina Tropical, e nos cursos de pós-graduação da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Além de ser consultora na OPAS E Organização Mundial da Saúde.

Texto: Milena Soares

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