fbpx

terça, 18 de janeiro de 2022

Conselho Federal de Medicina reprova tratamento precoce contra Covid-19

O posicionamento do órgão foi feito durante uma audiência pública da Comissão Temporária da Covid-19, realizada no Senado Federal na manhã desta segunda-feira (19).

19 de abril de 2021

Compartilhe

Vice-presidente disse que entidade está sempre reavaliando condutas (Foto: Reprodução)

Durante audiência pública da Comissão Temporária da Covid-19 do Senado na manhã de hoje (19), o vice-presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Donizette Giamberardino Filho, esclareceu que “o Conselho Federal de Medicina não recomenda e não aprova tratamento precoce e não aprova também nenhum tratamento do tipo protocolos populacionais [contra a covid-19]”.

Ano passado, o conselho aprovou parecer que facultou aos médicos a prescrição da cloroquina e da hidroxicloroquina para pacientes com sintomas leves, moderados e críticos de covid-19.

Segundo o médico, o que o CFM fez foi uma autorização fora da bula [off label] em situações individuais e com autonomia das duas partes, “firmando consentimento esclarecido [médico] e informado [paciente]”. Em nenhum momento ele [o CFM] autorizou qualquer procedimento experimental fora do sistema CRM/CFM. “Esse parecer não é habeas corpus para ninguém. O médico que, tendo evidências de previsibilidade, prescrever medicamentos off label e isso vier a trazer malefícios porque essa prescrição foi inadequada, seja em dose ou em tempo de uso, pode responder por isso”, avaliou Donizette.

Perguntado por senadores sobre uma revisão de posicionamento do CFM diante de evidências científicas de ineficiência dessa prescrição, o médico disse que a entidade está frequentemente reavaliando condutas, mas que nesse caso, especificamente, só uma decisão de plenário poderia reverter a orientação dada em abril do ano passado. “O Conselho Federal estuda a todo momento. Esse parecer pode ser revisto? Pode, mas é uma decisão de plenária, eu não posso fazer isso por minha opinião. O que eu repito é que a autonomia é limitada ao benefício. Quem ousa passar disso, responde por isso”, garantiu.

Politização

Já a microbiologista Natália Pasternak, presidente do Instituto Questão de Ciência (ICQ), da Universidade de São Paulo (USP), ressaltou que existem vários tipos de estudos científicos que têm sido reportados para tentar validar o uso do chamado kit covid ou tratamento precoce, que causaram controvérsia no Brasil. Segundo ela, os melhores estudos nessa área mostram que vários componentes desse kit já foram desmentidos. “Não é que não existem evidências ainda; é que já existem evidências de que esses medicamentos não funcionam. Para cloroquina e hidroxicloroquina, nós temos mais de 30 trabalhos feitos no padrão ouro que mostram que esses medicamentos não servem para covid-19. Para ivermectina, nós temos trabalhos também que demonstram que não serve e uma série de trabalhos que são muito malfeitos e muito inconclusivos. Infelizmente, muitos médicos acabam se fiando nisso”, criticou.

A pesquisadora defendeu que a ciência vem para ficar de mãos dadas com a Medicina e com a saúde pública, e não para antagonizá-la. “A ciência serve para embasar a medicina, para que médicos tenham a tranquilidade de receitar medicamentos que eles sabem que passaram por esses testes e que, por isso, por haver uma base científica, podem receitar”, acrescentou.

Para a especialista o Brasil não precisa de posturas públicas que confundam orientações sanitárias; “Nós não precisamos de que a tragédia da pandemia seja utilizada como mecanismo de busca de poder, ou seja, politizada; nós não precisamos de que empresas patrocinem a publicidade do kit covid; não precisamos de posturas públicas alarmistas. Precisamos, sim, de transparência. Precisamos de informação”, defendeu.

Natália Pasternak apontou a municipalização das condutas para evitar a disseminação do vírus como um erro. Para a especialista, o ideal seria que as medidas de distanciamento social atingissem micro e macrorregiões onde haja a circulação das pessoas. Ainda segundo ela, não há sentido, numa região metropolitana, determinado prefeito não fazer o distanciamento, pois essa conduta pode atrapalhar muito a eficácia da medida. Então, nós temos que ter ações mais conjuntas. A municipalização é um direito, mas a descentralização tem limites para sua eficiência”, ponderou.

Outros medicamentos

Os senadores ouviram ainda as considerações da doutora Margareth Dalcomo, pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz ( Fiocruz). A especialista condenou a utilização de alguns  fármacos, que considerou estarem sendo usados de forma “arbitrária” no tratamento do novo coronavírus. Segundo ela, essas drogas não passam de “saquinhos da ilusão”. “São antibióticos que não têm a menor indicação para uma doença que é viral – antibiótico é remédio usado em doença causada por bactéria –, misturando com vitaminas, com zinco, com corticosteroides, que é um medicamento que só tem indicação em casos específicos de covid-19, com critério médico abalizado naturalmente, e isso mais com anticoagulante, o que piora mais ainda a situação. Anticoagulante também tem indicação na covid-19, porém deve ser usado criteriosamente a partir da avaliação de determinados marcadores clínicos da covid, com os quais nós estamos muito acostumados a lidar”, avaliou.

Fonte: Agência Brasil

Leia Mais:

Leia mais sobre a Pandemia

Aeroporto Eduardo Gomes é o que mais detecta passageiros com Covid-19

As testagens no aeroporto iniciaram em 31 de maio e já somam 11.895 exames de diagnóstico de Covid-19, realizados por testes de antígeno e RT-PCR.

13 de agosto de 2021

Iranduba é o 1º município do interior a vacinar população de 12 a 17 anos

Foram enviadas para o município 1.170 doses do imunizante da Pfizer/BioNtech (Comirnaty). Nesta sexta-feira (13) também inicia a vacinação dos adolescentes na capital.

13 de agosto de 2021

Internada com Covid-19, paciente cola grau no Hospital Delphina Aziz

Daiana Pimenta teve a oportunidade de participar da tão sonhada colação de grau de maneira virtual, graças ao projeto Chamada do Bem. Amigos desejaram força à paciente.

12 de agosto de 2021

Início da vacinação contra Covid em adolescentes terá 44 postos em Manaus

Campanha para este público inicia sexta (13), para quem tem comorbidade, gestantes e puérperas. Os demais jovens incluídos nesta faixa etária devem se vacinar no sábado (14).

11 de agosto de 2021

Profissionais da Educação começam a tomar 2ª dose da vacina contra Covid-19

A ação visa o retorno seguro das atividades 100% presenciais, anunciado para os dias 23 de agosto, em Manaus, e 8 de setembro, no interior.

11 de agosto de 2021

Fiocruz: ocupação de UTIs de covid-19 chega ao melhor nível desde 2020

Hoje, a ocupação em Manaus é de 54%. O Brasil chegou a ter 25 capitais com mais de 80% da ocupação dos leitos, em 15 de março, quando a pandemia estava no pior momento.

11 de agosto de 2021

OMS vai testar três medicamentos para doentes hospitalizados com Covid

Na nova fase dos ensaios clínicos estão envolvidos cerca de 600 hospitais nos 52 países participantes, mais 16 países do que na fase inicial.

11 de agosto de 2021

‘Nova variante pode surgir em grupo de não vacinados’, alerta Anoar Samad

"Você que não se vacinou pense nas pessoas que você ama e estão do seu lado, porque você pode ser o ‘criadouro’ de novas cepas”, afirma o secretário de saúde, Anoar Samad.

11 de agosto de 2021