quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Formação das federações terá consequências para política no Amazonas

Duas federações formadas por partidos de esquerda e uma por partidos de centro-direita estão em discussão no momento. Em todas elas existem complicadores aqui no Estado.
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Congresso Nacional

Uma das novidades da eleição deste ano, as federações partidárias são o atual alvo de atenção dos partidos que pretendem se unir nacionalmente neste novo tipo de agrupamento e, com isso, vão impactar a política nos Estados. Atualmente, dos tipos de partidos de esquerda e um de centro-direita estão em conversas para a formação de uma federação.

Nas esquerdas, PT, PCdoB, PSB e PV estão com conversas avançadas para a formação da maior federação de partidos do País, mas há uma série de travas que passam não pela eleição nacional deste ano, mas pela eleição municipal de 2024.

O outro polo de esquerda que está se articulando envolve o PSOL e a Rede Sustentabilidade, que por sua vez estuda se fundir com o PV.

Na centro-direita as conversas mais avançadas envolvem o Solidariedade e o Podemos.

União é nacional

A principal característica das federações é que têm um caráter nacional, portanto em todos os estados os partidos que a formam devem seguir juntos durante quatro anos, o que implica estarem juntos na eleição municipal que ocorre entre as eleições gerais.

“São dois complicadores para quem tem candidatos competitivos. Veja o caso de São Paulo: com Alckmin (Geraldo, ex-governador) de vice de Lula, PT e PSB não teriam problemas para começar a federação, mas para 2024 o PT tem candidato a prefeito de São Paulo e o PSB também, a deputada federal Tabata Amaral, odiada pelos petistas por ter votado favorável à Reforma da Previdência”, explica o cientista político Moacir Santos.

Implicações para o Amazonas

No Amazonas, essa federação teria um efeito positivo, ainda mais porque em vários momentos PT, PSB e PCdoB já estiveram juntos. O PV seria o elo novo na corrente, mas com ‘estrelas’ que não são exatamente de esquerdas, como os deputados Carlinhos Bessa e Roberto Cidade.

Na avaliação do deputado Sinésio Campos (PT), na eleição deste ano, essa virtual federação tem potencial para eleger ao menos cinco representantes.

“Eu tenho meus votinhos, o Serafim (Corrêa – PSB) também, o Roberto Cidade e o Carlinhos Bessa também têm muitos votos no interior e a gente ainda pode colocar na conta uma eventual candidatura do PCdoB, que teve como deputado estadual o Eron (Bezerra) por muitos anos”, avalia.

Psol e Rede caminham para a formação de uma federação porque suas fundadoras, a ex-senadora Heloisa Helena e a ex-ministra Marina Silva têm a mesma origem, o PT. Outra facilidade é que Helena, após divergir do partido, se filiou ao Rede, mas mantém trânsito na antiga sigla.

No Amazonas uma federação formada por estes dois partidos só teriam um complicador: a grande quantidade de candidatos do PSOL, onde hoje três militantes são pré-candidatos a governador.

“Se só entre a gente já existe essa divergência, essa tensão interna, imagina quando tiver o pessoal do Rede junto na discussão”, questiona um integrante do Diretório Estadual do PSOL que pediu para não ser identificado.

Na centro-direita uma aliança duradoura entre Podemos e Solidariedade traria problemas para os quadros do Estado. O Podemos está sob a liderança do deputado governista Abdalla Fraxe, que deve apoiar a reeleição do governador Wilson Lima (PSC), que por sua vez está cada dia mais próximo da recandidatura do presidente Jair Bolsonaro (PL). Em nível nacional o Podemos tem candidato a presidente: o ex-juiz Sérgio Moro.

Já o Solidariedade, do deputado federal Bosco Saraiva, tem como candidato a governador o deputado estadual Ricardo Nicolau e para presidente ainda tenta, via seu presidente, o deputado federal Paulinho da Força, a filiação de Alckmin, o virtual vice de Lula.

“Há muita água nesse rio ainda para passar até o fim de fevereiro, quando as federações devem estar formadas, mas desde já os dirigentes terão de analisar as implicações delas em 26 Estados e no Distrito Federal. É engenharia política de difícil execução”, diz o cientista político Francinézio Santos.

Texto: Gerson Severo Dantas

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