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sexta, 27 de maio de 2022

Mobilização na Receita afetou 24% das importadoras do país em abril

Com a dificuldade para conseguir insumos e matérias-primas, o número de companhias que interromperam a produção quase triplicou no período, saltando de 7,8% para 21,2%.

12 de maio de 2022

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De 163 operadoras do comércio exterior, 72% tiveram sua produção afetada (Foto: Reprodução)

As empresas brasileiras sentem cada vez mais os impactos da operação-padrão dos auditores fiscais da Receita Federal, iniciada em dezembro do ano passado. De 163 operadoras do comércio exterior, 72% tiveram sua produção afetada em abril.

No caso das importadoras, o atraso na entrega de mercadorias aos clientes afetou 23,9% das empresas no mês passado, ante 7% em janeiro. Com a dificuldade para conseguir insumos e matérias-primas, o número de companhias que interromperam a produção quase triplicou no período, saltando de 7,8% para 21,2%.

O levantamento foi feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) entre 29 de março e 8 de abril. A lentidão no desembaraço das mercadorias é o principal problema apontado pelas companhias ouvidas, que também reclamam dos atrasos nas entregas aos clientes.

No caso das exportadoras, os atrasos foram relatados por 40,2% das companhias participantes da consulta, um aumento de 16,8 pontos percentuais na comparação com o resultado da pesquisa realizada em janeiro pela CNI.

Uma dessas empresas é a Samtronic, que trabalha com produtos médico-hospitalares de primeira necessidade ao tratamento da Covid-19.

Segundo Pedro Silveira, diretor de Administrativo e Controladoria da Samtronic, o desembaraço alfandegário (liberação da mercadoria nos aeroportos e portos do país) tem levado de 20 a 40 dias para ser concluído, gerando, assim, uma série de consequências.

O primeiro impacto mencionado por ele recai sobre os clientes, como hospitais que estão à espera dos produtos para a realização de tratamentos. “Os principais países que nós estamos tendo problema são Honduras e Paraguai”, disse.

O abalo sobre a imagem da empresa e a questão financeira são outros problemas descritos por Silveira.
“O segundo impacto é institucional, é a nossa marca. Ninguém vai entender que o fiscal da Receita está em greve, vão dizer que a empresa não entrega [a mercadoria]”, afirmou.

Diante dos entraves, a Samtronic teme perder contratos, mas também não conseguir mais entrar no mercado dos países. Segundo levantamento da CNI, o cancelamento de contratos de exportadoras subiu de 1,8% para 7,6% de janeiro a abril deste ano.

Outras dificuldades registradas na consulta foram a demora nas inspeções das cargas, custos adicionais associados à armazenagem, logística e movimentação das mercadorias, maior rigidez nas inspeções das cargas e no uso dos canais de verificação e mais.

Isac Falcão, presidente do Sindifisco Nacional (Sindicato dos Auditores da Receita Federal do Brasil), diz compreender a preocupação dos empresários brasileiros, mas ressalta as dificuldades da categoria.

“No que diz respeito ao controle de comércio exterior, a gente precisa de segurança e agilidade, mas quando você tira recursos e pessoas, não tem condições de ter as duas coisas. O Brasil está trabalhando sem gente e sem equipamento, não tem possibilidade de controlar o que está entrando com agilidade”, disse.

Na operação-padrão, segundo o sindicato, as cargas são vistoriadas com o devido rigor, o que não vinha sendo feito normalmente por falta de pessoal.

“Quando empresários do ramo industrial veem essas filas com preocupação, a gente compreende, mas muito pior seria se a gente não tivesse controle aduaneiro no Brasil. Um país que não controla as mercadorias que entram e saem do país tem muita dificuldade de ter uma indústria nacional, fica vulnerável à concorrência desleal de produtos vindos do exterior”, complementou Falcão.

Constanza Negri Biasutti, gerente de Comércio Exterior da CNI, aponta que a continuidade do movimento dos auditores da Receita já resulta em prejuízos de médio e longo prazo para as empresas brasileiras, agravando a situação do setor produtivo brasileiro, que já enfrenta obstáculos estruturais e de competitividade.

“A gente começa a ver um segundo grupo de impactos que tem a ver com o próprio processo produtivo, isso nos traz uma preocupação maior e uma urgência maior para poder achar alguma solução viável a essa questão da paralisação”, disse.

O presidente do Sindifisco Nacional chama atenção para o corte de quase 50% no orçamento da Receita Federal para 2022, a falta de concursos públicos para repor a perda de 40% do efetivo ocorrida nos últimos anos, além da regulamentação da Lei 13.464/2017, que trata da instituição da gratificação de desempenho (ainda não regulamentada), entre outras medidas de estruturação da carreira.

Somada à operação-padrão nas fronteiras, a mobilização também se traduz na entrega de cargos de chefia. Até 3 de maio, o Sindifisco recebeu comunicado de 1.498 cargos de chefia entregues por auditores fiscais, dos quais 479 foram oficializados com a publicação da portaria de exoneração.

Além disso, cerca de cinco mil auditores manifestaram o compromisso de não assumir qualquer cargo comissionado na Receita até que sejam efetivadas melhores condições de trabalho.

Segundo Falcão, a mobilização não deve arrefecer nas próximas semanas. “Não tem perspectiva da situação da Receita se normalizar porque o governo não sinaliza reposição do orçamento, não sinaliza a realização de concurso público e não sinaliza a regulamentação da lei”, disse.

Procurada, a Receita Federal disse que “não se manifesta sobre greve ou mobilizações”.

Fonte: Folhapress

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