segunda-feira, 24 de junho de 2024

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ECONOMIA

Economia de 90% dos municípios do AM depende da administração pública, aponta IBGE

Os três municípios mais dependentes do poder público são Santa Isabel do Rio Negro; Tonantins e Maraã.
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(Foto: Marcello Casal JR/Agência Brasil)

A população do estado do Amazonas é uma das mais dependentes da administração pública no Brasil. Em 2021, 90% dos municípios do estado tiveram como principal atividade econômica a administração, defesa, educação e saúde públicas e seguridade social, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

As três cidades mais dependentes, segundo o IBGE, são Santa Isabel do Rio negro (72,63%); Tonantins (70,10%) e Maraã (69,57%).

“São pequenos municípios que não têm indústria. Não tem emprego, e aí acaba sendo o maior empregador as próprias prefeituras. E a renda que é gerada nesses municípios é exatamente isso. Renda de pensões e aposentadorias e de projetos sociais, daqueles programas sociais de transferência de renda. E muitos vivem disso. O comércio vive dessa renda que circula no município”, explicou o economista Altamir Cordeiro.

Confira os dez municípios amazonenses mais dependentes da administração pública na economia:

Município%
Santa Isabel do Rio Negro72,63%
Tonantins70,10%
Maraã69,57%
São Paulo de Olivença69,24%
Atalaia do Norte69,49%
Amaturá67%
Benjamin Constant66,64%
Novo Airão65,38%
São Gabriel da Cachoeira64,20%
Nova Olinda do Norte63,59%
Fonte: IBGE

A gestão de recursos público pode interferir no PIB dos municípios?

Conforme o especialista em administração pública, Efraim Félix, as características da região amazônica impõem desafios para o desenvolvimento econômico dos municípios, mas a ausência de políticas públicas eficientes e a má gestão dos recursos públicos recebidos pelos municípios fazem a situação ficar mais complexa.

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“Em meio a tudo isso ainda existe o pensamento apequenado de parte dos gestores públicos em manter uma “clientela” de eleitores, com cabides de empregos dentro da administração pública e políticas públicas incrementais, que não contribuem para a geração de renda nos diferentes setores da economia, mas reforçam a dependência de programas sociais de transferência de renda”, disse.

O especialista diz que ao não observar as diferentes realidades e as peculiaridades da região, as políticas públicas de desenvolvimento se mostram pouco eficientes, reforçando as más práticas na gestão dos recursos públicos e perpetuando a população em situações de vulnerabilidade social, refletidos nos baixos IDHs identificados nesses municípios.

“Assim, a administração pública finda se sobressaindo como gerador de renda quando comparado aos diferentes setores da economia. Certamente, o poder público tem papel de destaque na economia dos municípios, mas não é saudável que esse papel seja preponderantemente relacionado à folha de pagamento de pessoal”, completou.

O que precisa ser mudado?

Para o especialista, não existe solução fácil, mas, para iniciar, os gestores públicos, nos três níveis de governo, devem atuar de forma coordenada, observando as realidades locais, visando identificar atividades com potencial de desenvolvimento econômico dos municípios, incluindo economia circular e manejo florestal de base comunitária, além da capacitação da mão de obra para a execução do trabalho, aliadas às boas práticas de preservação do meio ambiente.

“O potencial econômico dos municípios do interior do estado difere daqueles comuns aos grandes centros. Por isso, o desenvolvimento desses municípios depende do respeito a essas diferentes realidades e da atuação coordenada de difentes esferas de governo”.

Outro ponto destacado por Efraim Félix é a peculiaridade da logística na região amazônica, em que o custo-benefício das hidrovias se mostra com potencial de viabilizar o desenvolvimento dos municípios da região sem agredir o meio ambiente e os povos tradicionais.

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