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domingo, 14 de agosto de 2022

Laudo aponta contaminação no Madeira pelo uso de mercúrio por garimpeiros

Há mais de duas semanas, RealTime1 adiantou um alerta feito pelo pesquisador da Fiocruz sobre contaminação na região; PF realiza desdobramento da operação.

15 de dezembro de 2021

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Balsas de garimpo no rio Madeira (Foto: Bruno Kelly/Amazônia Real/Fotos Públicas)

O laudo da perícia feita, pela Polícia Federal (PF), a partir da análise de coleta de vestígios na região (água, sedimentos, fauna, flora e em cidadãos ribeirinhos), detectou elevados índices de contaminação por mercúrio na água, no leito do rio, na vegetação e nos seres humanos que habitam às margens do rio Madeira naquela região.

A PF havia determinado, no fim do mês de novembro, ao Setor Técnico Científico a realização de estudo técnico inédito sobre a contaminação de mercúrio no rio Madeira, que teve início com a coleta de vestígios na região.

O resultado do laudo apontando altos índices de contaminação foi divulgado nesta quarta-feira (15), data em que a Polícia Federal no Amazonas e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) realizam a Operação Uiara 2 – que tem por objetivo a identificação, abordagem e inutilização de balsas/dragas que operam a atividade de garimpo ilegal de ouro na calha do rio Madeira.

RealTime1 mostrou alerta de pesquisador sobre contaminação

Ao RealTime1, garimpeiros do rio Madeira, no Amazonas, afirmaram, no início do mês de dezembro, que o mercúrio é reutilizado por várias vezes antes de ser descartado. Eles garantem que a substância não é despejada no rio, e sim queimada. No entanto, o pesquisador Paulo Basta, da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz), diz que, ainda sim, o descarte da substância acaba em poluição do meio ambiente.

“Nesse processo de queima, esse mercúrio é liberado para atmosfera em forma de fumaça, que acaba sendo inalada pelo ser humano. O que não for inalado, vai subir para atmosfera, se juntar às nuvens e pode navegar diferentes distâncias. Na ocasião, pode se dispersar em formato de chuva na própria região ou, por intermédio dos ‘rios voadores’ [rios formados por massas de ar carregadas de vapor de água], viajar pelo país e outras parte do mundo e cair em forma de chuva em outras regiões”, revela o pesquisador da Fiocruz.

Assista à reportagem da TV RealTime1 produzida na região do garimpo do rio Madeira:

Policiais federais e fiscais do Ibama participam da operação

A operação conta com a participação de 35 policiais federais do Amazonas, DF (COT-Comando de Operações Táticas), GPI (Grupo de Pronta Intervenção) do PA, RR e RO, e 4 fiscais do IBAMA, é realizada no marco legal da Lei 9605/98 (Lei de Crimes Ambientais), Lei 8176/91 (Usurpação de bens da União), e objetiva também dar cumprimento a decisões judiciais que cassaram autorizações de lavra de ouro no rio Madeira, assim como atende a recomendação expedida pelo MPF.

Operação é continuação da realizada no fim de novembro

A ação operacional nesta data é sequencial à realizada no período de 27 a 29 de novembro deste ano, e objetiva localizar dragas de garimpo ilegal que estiveram envolvidas nas atividades de grande escala detectadas em 24 de novembro na região de Autazes, e que se evadiram para a região do município de Borba, não sendo alcançadas na primeira fase.

a PF esclarece que atualmente toda a atividade de lavra de ouro no Rio Madeira é ilegal e que, portanto, as ações objetivando a desintrusão dessa importante hidrovia federal continuarão a ser realizadas, assim como serão estendidas em 2022 a outras regiões de garimpo ilegal detectadas no Estado do Amazonas.

PF diz que os lucros com o garimpo ilegal comprometem a saúde da população

Tais resultados científicos corroboram a necessidade das ações da Polícia Federal e demais instituições e órgãos parceiros na repressão ao garimpo ilegal no rio Madeira, pois eventuais lucros decorrentes das atividades ilícitas são obtidos com o comprometimento direto da higidez (saúde) de milhares de pessoas que habitam a calha do Rio Madeira, e que dependem exclusivamente da água, agricultura e pescado viabilizados por essa hidrovia federal.

Texto: Isac Sharlon e assessoria

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