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domingo, 05 de dezembro de 2021

Inspirou Copacabana? Conheça a história do calçadão de São Sebastião

De fato, o calçamento manauara foi instalado muitos anos antes da famosa calçada do Rio de Janeiro. Mas será que a inspiração carioca foi a praça São Sebastião?

24 de outubro de 2021

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Calçada da Praça de São Sebastião data do ano de 1900 (Foto: Reprodução)

Inaugurado no último ano do século XIX, auge do ciclo econômico da borracha no estado, a calçada da Praça São Sebastião, faz parte de um conjunto arquitetônico idealizado pelos Barões da Belle Époque. Composto de pedras de calcita branca e basalto negro, o calçamento tem o mesmo desenho em forma de ondas de um dos cartões postais mais conhecidos dentro e fora do Brasil: o calçadão de Copacabana.

Mais de um século depois, todo manauara já ouviu a tese de que as pedras do que hoje é conhecido como o Largo de São Sebastião teriam inspirado o design icônico do passeio na praia carioca.

De fato, o calçamento manauara foi instalado muitos anos antes da famosa calçada do Rio de Janeiro, mas historiadores não são capazes de afirmar com certeza se a inspiração veio de terras manauaras.

“Eu não posso afirmar, exatamente, se foi a calçada de São Sebastião que inspirou Copacabana. O que eu tenho indicado nesses anos todos, é que, em Manaus, ela foi instalada em 1900 e no Rio a instalação se deu em 1922, em Copacabana. O que não posso afirmar é se essa inspiração foi proposital”, explica o professor e historiador Otoni Mesquita.

Desenho veio de Portugal

Outra certeza, aliás, é a origem portuguesa do padrão em formato de ondas pretas e brancas. Em Lisboa, desde 1842 já se usavam mosaicos nas calçadas e praças. Uma das referências mais antigas do padrão encontra-se na  na Praça de D. Pedro IV, mais conhecida como Praça do Rossio, em Lisboa, onde o traçado das pedras representa o encontro das águas doces do Rio Tejo com as águas salgadas do Oceano Atlântico.

“Na verdade, a calçada original não é nem aqui de Manaus. O calçamento original é um desenho português. Algumas cidades de Portugal, inclusive Lisboa, dividem esse desenho. Essa técnica de calçamento é feita por técnicos e artistas portugueses, tanto que as pedras utilizadas ficaram conhecidas como pedras portuguesas. Provavelmente os portugueses levaram esse desenho para várias outras região”, completa o estudioso.

Outras cidades europeias, como Praga, também possuem calçadas com este padrão.

Com relação à calçada carioca, inclusive, Otoni Mesquita relembra um fato curioso. O estilo curvilíneo do calçadão atual só foi delineado a partir de 1970 com o aumento da faixa de areia e o alargamento das pistas da orla e com o trabalho de Burle Marx. Ele manteve o desenho original mas aumentou as curvas.

“A calçada de Copacabana teve, na década de 1970, uma mudança no sentido. Ela era transversal ao sentido do mar e, nos anos 1970, houve um redesenho que virou o sentido do desenho, como se as ondas da calçada fossem uma continuação do mar”.

Encontro das Águas?

E se em Lisboa, o padrão da calçada da Praça do Rossio representa o encontro das águas do mais importante rio português com o Oceano, em Manaus, o calçadão do Largo de São Sebastião pode representar o nosso Encontro das Águas? Otoni Mesquita acredita que sim, já que, devido a todo o contexto arquitetônico do local, representar as águas era fundamental.

“Para nós, de Manaus, o padrão pode ter esse significado. Mas, como foi dito antes, o padrão original não é daqui. Na verdade o desenho tem a ver com o movimento das águas. Aquele é um desenho simbólico de água e a isso se adequam novos significados”.

“Não conheço um projeto específico, mas a discussão – se é que havia – é que representar a água era fundamental. Você tem as barcas dos quatro continentes no centro da Praça São Sebastião e, ao entorno delas, surge o grande mar. Mas também pode ser adaptado para a questão regional, assim como alguns também enxergam isso no pano de boca do Teatro Amazonas, dizendo que é o encontro das águas, ainda que não tenha distinção de cor entre as águas”, completa.

O historiador finaliza ressaltando a importância dos elementos arquitetônicos e paisagísticos para a criação de memórias afetivas de um determinado lugar, para que as pessoas tenham uma referência e se comprometam com a valorização e preservação de memórias e culturas. Segundo Otoni Mesquita, isso ajuda a criar um sentimento de pertencimento, o que é fundamental para que a sociedade valorize os seus bens, encarando-os como deles e se comprometendo com a defesa deles.

“Diante de tantas dificuldades e tantas lutas pelas quais passa a nossa população é importante que a gente tenha alguns ‘respiros’, e a cidade pode oferecer isso por meio de espaços públicos. Acabei de chagar agora da Praça São Sebastião. Fui almoçar, parei sob a árvore e fiquei lá escrevendo, sentado, e vi muitos jovens e muitas pessoas conversando. As pessoas precisam ter essa experiência. Também é fundamental que os administradores públicos e políticos usassem mais a cidade, caminhassem pela cidade, não só no carro com ar-condicionado, shoppings e repartições, mas na rua, para entender como funciona o dia a dia da população”, acredita.

Reportagem: Lucas Raposo

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