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sexta, 28 de janeiro de 2022

Maior biografia publicada sobre Roberto Carlos tem 928 páginas

São 50 capítulos, cada um usando uma música gravada pelo cantor para abordar uma época específica de sua vida até 1970. Segundo volume será lançado até o final de 2022.

26 de novembro de 2021

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Autor revela Roberto como o único dos grandes artistas a ter tripla formação no Brasil (Foto: Reprodução)

Quinze anos se passaram desde Roberto Carlos em Detalhes. A biografia lançada em 2006 pela Editora Planeta, do pesquisador Paulo Cesar de Araújo, irritou o cantor, que alegou ser ele o dono e único contador autorizado da própria história, e o caso foi parar nos tribunais. Roberto exigiu que o livro fosse retirado das lojas para não seguir com um pedido de indenização e saiu da sala vitorioso.

Mesmo depois do desgaste do grupo de artistas Procure Saber, inicialmente apoiador da sanha censória contra os biógrafos, e do puxão de orelhas do Supremo Tribunal Federal, que entendeu pela liberdade irrestrita de publicações com um “cala boca já morreu!” da então ministra Carmen Lúcia, o livro segue trancado

Mas a história, não. Depois de ter exposto a vida de Roberto por uma segunda vez, narrando os bastidores da audiência no livro O Réu e Rei, de 2014, Paulo Cesar volta ao front com a maior munição historiográfica já despendida em qualquer projeto publicado sobre Roberto Carlos. Roberto Carlos Outra Vez, da Editora Record, chega às lojas no dia 6 de dezembro.

São 50 capítulos distribuídos em 928 páginas, cada um usando uma música gravada pelo cantor para abordar uma época específica de sua vida. E fala-se aqui apenas do primeiro volume, que toma a vida de Roberto do nascimento a 1970. O próximo, com mais 50 canções que conduzirão o tempo até 2021, quando ele terá 80 anos, será lançado até o fim de 2022.

A reação de Roberto é ainda uma incógnita. Procurada pela reportagem, a assessoria do artista disse que ele estava sem tempo para dar opinião por estar ensaiando para o especial de fim de ano da Globo.

Apesar dos dias ruins vividos diante de um Roberto Carlos bélico, talvez a única faceta que o biógrafo não conhecia de seu biografado até 2006, o livro que chega agora vai além do que já foi contado, estendendo passagens, revisitando notícias, incluindo histórias e trazendo novos inputs.

De mente forjada no pensamento acadêmico que o levou a fazer de uma tese uma publicação histórica sobre os cantores bregas perseguidos pela ditadura no Brasil com Eu Não Sou Cachorro Não, de 2002, Paulo Cesar de Araújo abre o livro com insights bem expostos, mas sobretudo saborosos.

Ele revela Roberto como o único dos grandes artistas a ter tripla formação no Brasil. Nenhum outro, segundo Araújo, conciliou os universos incomunicáveis da bossa nova de João Gilberto, do rock and roll de Elvis Presley e da música brega.

“Chico Buarque foi moldado pelo samba e pela bossa; não pelo rock nem pelo brega. Jorge Ben Jor bebeu na fonte do rock, que misturou com a bossa, porém, não com o brega”, está escrito na abertura. “Raul Seixas se entendia muito bem com o diabo do rock’n’roll, e até com o brega, mas não com a bossa. Odair José também não, mas sim com o rock e principalmente com o brega.”

E continua: “De Elis Regina a Waldick Soriano; de Ivan Lins a Sérgio Reis; passando por Gonzaguinha, Rita Lee, Belchior, Tim Maia, Maria Bethânia, Fagner, Carlos Lyra, Gal Costa, Sidney Magal, Marisa Monte, Cazuza, Renato Russo – cada um influenciado pela bossa ou pelo rock ou pelo brega ou, no máximo, por dois desses estilos musicais”.

Postura Distanciada

Existe um inescapável tom reverencial quando se analisa a dimensão social de Roberto, e ela fica inegável com o habilidoso jogo de ideias e apuração mostrando a presença de músicas do cantor em nascimentos, casamentos, cirurgias, enterros, assaltos e memórias de toda sorte, mas o novo Outra Vez se revela, além de mais profundo, mais distante do que Em Detalhes.

Se havia lá atrás um biógrafo por vezes declaradamente fã, agora, 15 anos e um processo depois, ele está mais implacável com o contar. “O tempo ajuda. Além de reouvir as 141 fitas cassete com as entrevistas, percebendo falas que não havia percebido antes, pude consultar muito mais material, como as entrevistas e os livros publicados depois de 2006”, diz Paulo Cesar de Araújo.

Impossível não pensar sobre o efeito contrário que Roberto provocou às próprias intenções ao brigar com a história em 2006. Agora, além do que virá no segundo calhamaço em 2022, tudo o que o incomodou, como o episódio da perda da perna em um acidente férreo, aos 6 anos, as humilhações impostas a Tim Maia e a noite tórrida ao lado da cantora Maysa, volta com mais detalhes e mais depuração. Outra Vez prova que Roberto Carlos brigou com o biógrafo errado.

Fonte: Estadão

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