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terça, 20 de abril de 2021

MPF pede indenização de R$ 43 milhões ao Frigorífico Amazonas

O valor refere-se a indenização por dano moral ambiental e social coletivo pela comercialização de produtos provenientes de áreas de pastagens abertas por desmatamentos.

17 de dezembro de 2020

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O Frigorífico Amazonas não aderiu ao acordo, deixando de adequar sua cadeia produtiva nos moldes previstos no TAC.

Em ação civil pública apresentada à Justiça Federal no Amazonas, o Ministério Público Federal (MPF) pediu a condenação do Frigorífico Amazonas ao pagamento de, no mínimo, R$ 43.230.000,00.

O valor pago seria referente a indenização por dano moral ambiental e social coletivo pela comercialização de produtos bovinos provenientes de áreas de pastagens abertas por meio de desmatamentos ilegais.

Na ação, o MPF também pede que o frigorífico seja proibido de abater ou comercializar gado de origem ilegal, sob pena de multa de R$ 5 mil por animal.

Também requer que seja obrigado a apresentar, na comercialização de todos os produtos bovinos, informação sobre a origem do produto, além de ser citado para comparecimento em audiência de conciliação.

Regularização


Desde 2009, o MPF atua para a regularização da cadeia produtiva da pecuária no Amazonas por meio do programa Carne Legal.

O órgão tem firmado termos de ajustamento de conduta (TAC), desde 2013, com os maiores frigoríficos da região, para que não comercializem, abatam ou recebam gado bovino de fazendas em que tenha ocorrido desmatamento ilegal de novas áreas a partir de 22 de julho de 2008.

O Frigorífico Amazonas não aderiu ao acordo, deixando de adequar sua cadeia produtiva nos moldes previstos no TAC.

Na ação civil pública encaminhada à Justiça, o MPF apresenta fatos apurados em procedimento administrativo de acompanhamento que demonstram que o frigorífico vem contribuindo para o desmatamento da floresta amazônica e para a degradação do meio ambiente em geral, comercializando produtos bovinos provenientes de fazendas em que foram praticados ilícitos socioambientais.

Entre janeiro de 2019 e setembro de 2020, o Frigorífico Amazonas adquiriu 4323 bovinos de propriedades embargadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) ou que desmataram ilegalmente novas áreas, conforme a apuração.

Preservação da floresta e consumo consciente

Na ação, o MPF destaca o dever de preservar, da forma mais adequada possível, a floresta amazônica que, constitucionalmente, é definida como patrimônio nacional.

Além de ressaltar a importância em pautar as atividades humanas, na Amazônia, por critérios rigorosos que garantam a subsistência da floresta e sua integridade para as gerações presentes e futuras.

O MPF ainda afirma que, caso o agente econômico não assegure que não está adquirindo produto originado de violação às regras legais, como é o caso do Frigorífico Amazonas, sua atividade está contribuindo para a devastação da Amazônia, contrariando o artigo 225 da Constituição Federal.

Direito do Consumidor


O direito do consumidor em ser informado sobre a origem dos produtos que consome também foi abordado pelo MPF na ação. Desconhecendo a origem, o consumidor pode ser induzido a adquirir carne oriunda de abates clandestinos ou provenientes de fazendas em que há desmatamento ilegal, segundo o órgão.

O respeito ao direito do consumidor à informação, para o MPF, deve impor aos frigoríficos que informem nos produtos comercializados a fazenda de onde é originária a carne bovina, para que, assim, o consumidor tenha a possibilidade de conferir se tal fazenda realiza o desmatamento ilegal, o que lhe garantirá a possibilidade do consumo consciente do ponto de vista socioambiental.


Ainda de acordo com a ação civil pública, a comercialização de produtos bovinos por frigoríficos sem a responsabilidade socioambiental estimula a pecuária bovina irresponsável, que responde pela maior parte do desmatamento consolidado na Amazônia.

“Ao transacionar produtos bovinos de fazendas que desmataram ilegalmente, o frigorífico violou seu dever de diligência e cuidado e, com sua parceria empresarial com fazendeiros ilegais, não só usufruiu do resultado do desmatamento ilegal como também estimulou economicamente que outros desmatamentos fossem realizados”, aponta o MPF em trecho da ação.

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