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sexta, 30 de julho de 2021

Amazônia pode ser transformada com mais ciência e inovação

O Fórum Mundial Amazônia+21 destacou o aspecto social da bioeconomia para a transformação da região em um território com melhores condições de vida para os habitantes.

7 de novembro de 2020

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Plano visa uso de novos modelos de negócios. (Foto: Divulgação)

Depois de quatro encontros preparatórios e três dias de debates com governadores, prefeitos, pesquisadores, empresários e empreendedores, o Fórum Mundial Amazônia+21 seguirá sendo uma plataforma para mapear reunir pessoas e apontar caminhos possíveis, barreiras e oportunidades para o desenvolvimento sustentável da Amazônia, a partir de um plano de trabalho que será construído com as ideias compartilhadas durante o evento e a muitos mãos.

“Nós entendemos que a Amazônia pode ter um projeto de desenvolvimento sustentável, gerando riqueza, gerando trabalho, gerando impostos. Precisamos investir na Amazônia em educação, em saúde, em infraestrutura, em projetos industriais, projetos agrícolas e projetos voltados para o comércio”, destacou o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade.

O plano deve apontar uma rota estratégica para que a região abrace o conceito de economia circular e a bioeconomia com uso intensivo de pesquisa, ciência e inovação e novos modelos de negócios que mantenham a floresta em pé e gere riqueza e qualidade de vida para seus habitantes.

Negócios sustentáveis, meios de financiamento, cooperação internacional, integração de governos locais, políticas fiscais inteligentes, mais manejo florestal e regularização fundiária, mais acesso às tecnologias de informação e comunicação, mais educação e formação profissional para as especificidades do bioma amazônico foram alguns dos muitos caminhos apontados durante o Fóurm, que reuniu 110 painelistas, gerando mais de 80 horas de conteúdo e impactando mais de 20 milhões de pessoas por meio das redes sociais.

“Inovação e sustentabilidade não são novos imperativos, são o centro da história humana”, afirmou a presidente e CEO do Conselho de Competitividades (EUA), Deborah Wince-Smith, que fechou o evento na tarde desta sexta-feira (6).

O Fórum mostrou que é possível sair da discurso à prática. Há pessoas e instituições e empresas que já fazem da bioeconomia uma realidade na Amazônia. “Vimos que a região precisa ser revisitada a partir de um novo olhar que reconhecie o potencial econômico extraordinário que possui. Por meio da ciência e da inovação será possível, de maneira sustentável, explorar, desenvolver, gerar bons empregos, renda e prosperidade não só para a região amazônica, mas para todo o Brasil”, acredita o coordenador do Fórum, Marcelo Thomé, presidente da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (FIERO).

Integração regional mais eficiente

Um dos aspectos mais destacados na última sessão do evento foi a importância da integração entre os nove países que compartilham o bioma amazônico.

Cidadãos peruanos, bolivianos, colombianos, brasileiros fazem negócios atravessando fronteiras, compartilham desafios. Por isso, é tão importante que esses países tenham políticas de aproximação local. “Na Amazônia, a integração na fronteira é muito mais efetiva para gerar o desenvolvimento do que a integração com outras partes do próprio país”, defende o assessor de Integração nas Fronteiras do Ministério das Relações Exteriores do Peru, Javier Lossio Olavarria.

O governo peruano tem experiências nesse sentido com a Agência Presidencial de Cooperação Internacional da Colômbia (APC Colômbia) para elaborar um marco normativo para o comércio de peixes entre os dois países na fronteira amazônica. “O projeto visa o fortalecimento das capacidades dos dois países”, explica Catalina Quintero Bueno, diretora APC Colômbia.

Para além da cooperação sul-sul, os europeus também apostam no multilateralismo para o desenvolvimento sustentável da Amazônia, em projetos como o Inovar, com foco na transferência de conhecimentos da União Europeia (UE) para a América Latina sobre inovação e desenvolvimento territorial nas regiões fronteiriçase, e o programa de cooperação internacional urbano e regional (IURC, na sigla em inglês) que visa promover o desenvolvimento urbano sustentável, também desenvolvido pela UE e que terá uma nova edição a partir de 2021 até 2024.

Participaram da mesa sobre cooperação internacional a gestora de projetos da Plataforma INNOVACT EU-CELAC, Silke Haarich, o consultor sênior em cooperação internacional, Ronald Hall, o coordenador do apoio técnico da União Europeia, Jaime Del Castillo, e o chefe da Unidade de Cooperação Econômica e Integração Fronteiriça do Ministério das Relações Exteriores do Estado Plurinacional da Bolívia, Andrés Vargas Zurita.

Fazer pontes entre os negócios com produção sustentável

Outro apoio importante aos novos negócios da Amazônia é comercial: fazer pontes entre os negócios com produção sustentável da região com mercados internacionais. Em 2019, a Agência Brasileira de Exportação (Apex) apoiou 1.008 empresas amazônicas. Para o presidente da Apex, Sergio Segóvia, o número é um indicador do potencial de crescimento dos negócios da bioeconomia amazônica.

Outra frente de apoio é a do Pacto Global da ONU. “Na Amazônia, estamos juntos com outras organizações e com grandes empresas estimulando uma atuação mais responsável e mais sustentável”, conta o diretor executivo da Rede Brasil do Pacto, Carlo Pereira.

Iniciativas como a Beraca, que produz produtos inovadores e sustentáveis a partir da diversidade da floresta para indústrias cosmética, farmacêutica e de cuidados pessoais de todo o mundo, e a Nayah Sabores da Amazônia, que produz e comercializa chocolates finos produzidos a partir matérias-primas amazônicas, estão entre os bionegócios apoiados pela Apex e pelo Pacto Global.

Pensar os diferenciais do negócio e cuidar da comunicação da empresa foram lições importantes para a Beraca, que recebeu apoio tanto da Apex quanto de empresas do Pacto Global. “É preciso investir na profissionalização, nas cadeias produtivas, nas cadeias de embalagem. Acredito que as oportunidades maiores estejam nessas áreas”, explica o CEO da empresa, Daniel Sabará, recomenda pensar e estruturar muito bem a comunicação, mas, também se preocupar com a infraestrutura do negócio.

“Por meio dos nossos produtos também reforçamos os conhecimentos tradicionais e os saberes locais que tocam os corações das pessoas”, anima-se a fundadora da Nayah, Luciana Centeno.

Para ela, é essencial que as nações superem lacunas digitais. “Para a educação remota, por exemplo, as familias precisam ter acesso a computadores e à internet, o que ainda não acontece em muitas partes do planeta”. Deborah defende que a neutralidade da internet é um conceito obsoleto e que o foco agora deve ser a garantia da internet como um direito de todos para que o processo de aprendizagem seja viabilizado em um mundo pós-Covid 19.

O Fórum Mundial Amazônia +21

O Fórum é uma iniciativa da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (Fiero), Agência de Desenvolvimento de Porto Velho e Prefeitura de Porto Velho, com apoio da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e do Governo do Estado de Rondônia. Confira todos os debates que aconteceram entre os dias 4 e 6 de novembro no canal da CNI no Youtube.

Fonte: CNI

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